
Por qualquer ângulo que se escolha observar, o Inter terá uma segunda metade da temporada decisiva. O fim da gestão Alessandro Barcellos é apenas o desfecho de um 2026 com obstáculos pelo caminho colorado. O calendário por si só é menos desgastante do que nos primeiros seis meses, mas o número de partidas a serem disputadas está ligado a determinados resultados.
Ou seja, se o clube olha para dentro, onde está alojada uma grande crise financeira, o torcedor olha para o time e o que ele ainda pode proporcionar: uma campanha de recuperação no Brasileirão e quem sabe a Copa do Brasil, a única possibilidade de título no horizonte.
"A expectativa é grande no segundo semestre dentro da realidade do Inter. É um ano difícil e estamos fazendo o possível e o impossível. O tamanho do Inter é gigante, o torcedor já entendeu o momento e vocês (jornalistas) também. Entramos num momento político do clube e a gente precisa de união. O desafio tem que ser encarado com entusiasmo", disse Fabinho Soldado, diretor-executivo de futebol se dirigindo aos jornalistas na apresentação de Matheus Cunha, no começo da semana.
O dirigente, além de pinçar o fator político à vista, trata o momento em curso como emblemático. Fabinho não estava no Beira-Rio em 2025, mas a relação com o clube e o que ele encontrou quando assumiu o cargo certamente dá peso à responsabilidade para conduzir o trabalho nos próximos meses na parceria com Abel Braga na administração do vestiário.
O jogo de ontem contra o Cruzeiro abriu o segundo semestre e encerrou o primeiro turno do Campeonato Brasileiro. Até então havia sido 32 partidas do Inter desde janeiro. Agora, além do returno do Brasileirão, resta apenas a Copa do Brasil, com o melhor dos cenários com mais sete jogos pela frente. Cálculo que chegaria ao todo em 26 compromissos para a equipe de Paulo Pezzolano disputar, seis a menos do que no primeiro semestre.
A trajetória até aqui no campeonato, a escapada dramática do rebaixamento na edição anterior somadas ao susto da arrancada na atual edição sublinham a importância das próximas cinco rodadas. Na ordem, o Inter terá pela frente agora Athletico (F), Flamengo (C), Palmeiras (F), Remo (C) e Atlético Mineiro (C). Nesse recorte foram somados somente 2 pontos no turno.
"O momento é de melhorar alguns números. Com esse elenco a gente consegue entregar algo a mais, principalmente dentro de casa. Às vezes a gente é repetitivo. Estamos aqui todos os dias para o Inter se fortalecer", completa Fabinho.
COPA DO BRASIL POSSIBILIDADE
Em meio aos primeiros duelos do Brasileirão estarão os confrontos contra o Corinthians, atual campeão do torneio. O próprio adversário não deixa de ser um exemplo da possibilidade de beliscar um título, em tese improvável.
Afinal de contas, após a queda de favoritos, Timão e Vasco chegaram à decisão no ano passado ao mesmo tempo em que suavam para fugir do rebaixamento. A primeira partida será no Beira-Rio, dia 2 de agosto, e a volta na Neo Química Arena quatro dias depois. Como este ano a competição terá final em jogo único, restariam cinco até lá.
O calendário colorado, portanto, tem o Brasileirão encerrando no dia 2 de dezembro. A Copa do Brasil termina no dia 6 e a presença do Inter na festa da decisão que o time não chega desde 2019 é tão incerta quanto o que irá ocorrer na segunda quinzena do último mês do ano.
Será quando o associado irá às urnas para eleger o sucessor de Alessandro Barcellos. Em seis anos no cargo, o presidente conquistou o Gauchão 2025 e a Recopa Gaúcha 2026. De resto, foram muito mais frustrações simbolizadas nas contratações de Rochet, Valencia e Borré, do que comemorações como os dois títulos ou a venda histórica de Gabriel Carvalho por mais de R$ 130 milhões.
O clube tem uma dívida encarada como insustentável para alguns especialistas, mas conforme os atuais dirigentes, não o suficiente para que seja acionada uma recuperação judicial. O fato é que os próximos meses se apresentam decisivos para o Inter dentro e fora de campo.