Terça, 28 de Julho de 2026
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Além da balança: Por que os remédios modernos de emagrecimento exigem cuidado com a mente para evitar o reganho de peso?

Dra. Luísa Ortiz Cabrera, endocrinologista e professora de pós-graduação da Afya Educação Médica de Porto Alegre, alerta que o sucesso do tratamento depende de olhar para além dos hormônios.

Por: Redação Acontece no RS
20/07/2026 às 22h24
Além da balança: Por que os remédios modernos de emagrecimento exigem cuidado com a mente para evitar o reganho de peso?

Com o "boom" dos medicamentos injetáveis voltados para a perda de peso, o foco dos tratamentos tem se concentrado intensamente no aspecto físico. No entanto, focar apenas na balança e esquecer a saúde mental pode comprometer os resultados a longo prazo. A Dra. Luísa Ortiz Cabrera, endocrinologista e professora de pós-graduação da Afya Educação Médica de Porto Alegre, alerta que o sucesso do tratamento depende de olhar para além dos hormônios.

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O debate ganha ainda mais relevância no Rio Grande do Sul. Segundo dados do Ministério da Saúde (Vigitel), Porto Alegre figura entre as capitais brasileiras com os maiores índices de excesso de peso, atingindo mais de 60% da população adulta. Esse cenário, somado ao alto poder de consumo da região, transformou o estado em um polo de forte adesão aos novos tratamentos injetáveis. No entanto, em uma população que também lidera estatísticas nacionais de ansiedade, o alerta da Dra. Luísa Ortiz Cabrera torna-se urgente: sem tratar a mente, o investimento nas 'canetas' pode não trazer o resultado esperado a longo prazo

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Os novos medicamentos, conhecidos como análogos de GLP-1, são altamente eficazes porque atuam na fisiopatologia da doença, reestabelecendo os hormônios sacietógenos que não funcionam da mesma forma em pacientes com excesso de peso. Porém, a endocrinologista pondera que cada paciente possui um fenótipo e padrão alimentar único. "Se o paciente tiver um grau de compulsão ou fome emocional, a caneta não vai ser tão eficaz, porque ela vai agir só na saciedade".

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Outro ponto crucial destacado pela especialista é a desmistificação do chamado "efeito sanfona" ou "efeito rebote". Segundo a Dra. Luísa, a obesidade é uma doença crônica e, assim como a hipertensão ou o diabetes, exige tratamento contínuo. "Quando o paciente perde peso, ele não está livre da doença. O acompanhamento deve ser ao longo da vida". Por ser uma condição multifatorial (que envolve genética, estilo de vida e patologias), o tratamento exige uma abordagem multidisciplinar integrada por endocrinologistas, psicólogos, psiquiatras, nutricionistas e educadores físicos.

Dicas

O que você precisa saber antes de iniciar um tratamento de perda de peso

O avanço dos novos medicamentos injetáveis trouxe uma revolução para quem busca emagrecer, mas a balança não conta a história inteira. Para que o tratamento funcione de verdade e o peso não volte depois, o segredo está em olhar para onde nenhuma medicação alcança sozinha: a nossa mente. A Dra. Luísa Ortiz Cabrera, endocrinologista e professora de pós-graduação da Afya Educação Médica de Porto Alegre, separou 4 dicas essenciais para você entender como as suas emoções influenciam o seu corpo e garantir o sucesso do tratamento a longo prazo, e ajudam a identificar e tratar os diferentes padrões alimentares na perda de peso. 

Identifique o comportamento: Na consulta clínica, questionários específicos ajudam a diferenciar a compulsão alimentar (comer grandes quantidades em curto intervalo de tempo) da fome emocional (buscar o alimento como recompensa ou bem-estar ao estar feliz ou triste).

A caneta injetável não faz tudo sozinha: Medicamentos modernos agem na saciedade física, mas não controlam os gatilhos psicológicos da compulsão ou do comer emocional.

Entenda a cronicidade: O reganho de peso após interromper o tratamento não é um "fracasso" ou apenas um "efeito rebote", mas sim o descontrole de uma doença crônica que parou de ser tratada.

Monte uma rede de apoio profissional: Para que o tratamento seja eficaz, alinhe o acompanhamento do endocrinologista com profissionais como psicólogo, psiquiatra, nutricionista e educador físico.