
Com a chegada das ondas de frio ao Rio Grande do Sul, a hipotermia volta a ser um risco real — e silencioso — para parte da população gaúcha. A condição acontece quando a temperatura do corpo cai abaixo de 35 °C, ponto em que o organismo passa a perder mais calor do que consegue produzir. Em casos graves, pode levar à perda de consciência e até à morte se não houver socorro rápido.
Nem todo mundo corre o mesmo perigo. Os grupos mais vulneráveis à hipotermia são os idosos, os bebês e crianças pequenas, as pessoas em situação de rua e quem convive com doenças crônicas, como problemas cardíacos, diabetes e alterações da tireoide. Idosos produzem menos calor e muitas vezes vivem sozinhos em casas mal aquecidas; já os bebês perdem calor mais rápido por terem o corpo pequeno em relação à superfície da pele. O consumo de álcool também aumenta o risco, porque dá uma falsa sensação de aquecimento enquanto reduz a temperatura corporal.
Reconhecer os sinais é o primeiro passo para agir a tempo. No início, aparecem tremores intensos, pele fria e pálida, lentidão, confusão mental e fala arrastada. Um alerta importante: quando os tremores cessam de repente, isso não significa melhora — costuma indicar que a hipotermia está se agravando e exige socorro imediato.
Diante de uma suspeita, a orientação é clara. Leve a pessoa para um ambiente quente e protegido, retire qualquer roupa molhada e troque por peças secas. Aqueça o corpo aos poucos, com cobertores, priorizando o centro do corpo — tronco, pescoço e cabeça. Se a vítima estiver consciente, ofereça líquidos mornos, nunca quentes demais. E acione o socorro pelo telefone 192 (Samu) o mais rápido possível, principalmente se houver sonolência ou desorientação.
Tão importante quanto ajudar é saber o que evitar. Não esfregue nem massageie braços e pernas, pois isso pode empurrar o sangue frio para o centro do corpo e sobrecarregar o coração. Também não aplique calor intenso e direto na pele, como bolsas de água fervente, que podem queimar e provocar arritmias. Café e bebidas alcoólicas estão proibidos, e nada de oferecer líquidos a quem está inconsciente — há risco de engasgo.
No inverno gaúcho, prevenir continua sendo o melhor caminho. Vale checar com frequência idosos e pessoas acamadas da família ou da vizinhança, manter a casa aquecida e bem vedada e apostar em várias camadas de roupa, protegendo cabeça, pescoço e mãos. Pequenos cuidados, sobretudo durante os picos de frio, fazem a diferença entre um susto e uma emergência.
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