
Com o tema “Bacia protegida. Comunidade segura”, iniciou na quinta-feira (18) e segue até este sábado (20) o 2º Seminário Previne Taquari-Antas, que está sendo realizado no auditório do Prédio 11 da Univates, em Lajeado. Um dos painéis realizados foi intitulado “Tempestades Severas no Contexto de El Niño”, ministrado pelo meteorologista da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Murilo Machado Lopes.
Na explanação, o meteorologista destacou que está previsto um El Niño clássico e intenso, com tempestades severas e pico entre a primavera e o verão deste ano. “Quando a gente vê as águas aquecidas acima de 2 graus lá na área central do Oceano Pacífico Equatorial, nós estamos indo para um El Niño muito forte na intensidade, o que nós chamamos também, às vezes, de super El Niño. Esse contexto está se desenhando para o segundo semestre de 2026 para o Rio Grande do Sul e reforça as condições que, tipicamente nós já temos na primavera, que são de chuvas mais frequentes, episódios de precipitação, às vezes, volumosa, que acarreta enchentes, e também tempestades”, relata. “Então, o El Niño vem nos trazer, nesse contexto, exatamente uma intensificação daquilo que a gente já tem a perspectiva de registrar nessa época do ano, de primavera para verão, que são as tempestades”, acrescenta.
Segundo o meteorologista, o El Niño deve ser desenvolver no final do inverno, tendo seu pico de intensidade na transição da primavera para o verão, persistindo até, pelo menos, outono de 2027. Conforme Lopes, nesse período poderão ser registradas tempestades severas. “Essas tempestades são fenômenos que vão se organizar, associadas à formação de frentes frias e também de áreas de baixa pressão e vão ser capazes de, muitas vezes, causar granizos de grande tamanho, vendavais que podem ser destrutivos e também tornados. Esses fenômenos acontecem aqui na nossa região, especialmente nessa transição também de inverno até o verão, especialmente durante a primavera, que é onde nós temos uma condição meteorológica que favorece esses movimentos de ar mais intensos, a formação dessas tempestades mais severas e, consequentemente, em algumas situações, elas vão ser responsáveis também por acumulados elevados de chuva”, relata.
O meteorologista também observou que, em maio de 2024, além do El Niño, outros fatores também influenciaram. “O El Niño era um dos atores nesse cenário que nós tivemos em 2024. Já no outono de 2024, esse fenômeno estava perdendo um pouco de intensidade, contudo, nós tivemos essa combinação de um Oceano Atlântico mais aquecido na área equatorial e a formação de um sistema que gerou precipitação na Costa Africana e que promoveu um padrão de circulação atmosférica que permitiu que essa frente fria ficasse por vários dias estacionada no Rio Grande do Sul. Esses fenômenos têm uma escala de tempo um pouco mais curta. Então, a curto prazo, nossas previsões não têm indicado que isso vai se repetir, pelo menos ao longo de 2026. Mas é um cenário que exige acompanhamento, especialmente porque isso decorre um pouco da dinâmica atmosférica em um intervalo de tempo mais curto. E aí as previsões de tempo certamente vão indicar quando a gente estiver numa situação de bloqueio atmosférico que possa favorecer essa frente ficar mais tempo sobre o Rio Grande do Sul. Então, a curto prazo, isso não se desenha, mas a gente está sempre acompanhando porque, como eu disse, o El Niño deve persistir até o outono do ano que vem”, observa.
Sobre o Vale do Taquari, o meteorologista relata que é necessário acompanhar a previsão do tempo para monitorar os acumulados de chuva. “A expectativa é que nós tenhamos meses de chuva acima da média, a distribuição de como que essa chuva vai ocorrer vai ser bastante importante para a prevenção de cheias e também para a organização da sociedade nesse período, mas certamente, o Vale do Taquari está muito melhor preparado do que estava, por exemplo, em setembro de 2023, quando a primeira cheia daquele ano já trouxe um impacto muito grande aqui para a região. Nesse contexto, existe um monitoramento maior, existe uma preparação das forças, das defesas civis e também de bombeiros e órgãos municipais para que esse impacto seja menor. Então, nesse contexto, é necessário sempre o acompanhamento por parte da população para ver esses alertas e ter o tempo de resposta correto. Teremos uma chuva mais expressiva para o Rio Grande do Sul. O que nós não conseguimos precisar ainda são as regiões. Então, como eu disse, é importante acompanhar esses alertas a mais curto prazo”, relata.