
As internações por doenças respiratórias no Rio Grande do Sul aumentam todo ano entre junho e agosto, e 2025 não está sendo diferente. Pneumonia, bronquite e crises de asma já lotam prontos-socorros em cidades como Porto Alegre, Caxias do Sul e Pelotas — e médicos do estado alertam que boa parte dos casos poderia ser evitada com medidas simples no dia a dia.
Foi o que viveu o pedreiro Valdir Machado, 58 anos, morador de Santa Maria. Na última semana de maio, ele acordou com falta de ar e tosse seca que não passava. Dois dias depois, estava internado com pneumonia. "Achei que era resfriado, fui empurrando com o joelho", contou. Ficou quatro dias no hospital.
A história de Valdir se repete em muitos lares gaúchos durante o inverno. O frio intenso da região Sul, combinado com o ar seco e os ambientes fechados com pouca ventilação, cria as condições ideais para a proliferação de vírus e bactérias que afetam o sistema respiratório.
O Rio Grande do Sul registra algumas das temperaturas mais baixas do país nessa época do ano. Em cidades serranas como Gramado, Canela e São Francisco de Paula, os termômetros costumam marcar entre 0°C e 5°C nas madrugadas de julho. Nessas condições, as pessoas ficam mais tempo em casa, com janelas fechadas e aquecedores ligados — o que reduz a umidade do ar e aumenta a concentração de agentes infecciosos no ambiente.
"O ar seco resseca as mucosas do nariz e da garganta, que são a nossa primeira barreira de defesa contra vírus e bactérias", explica a médica pneumologista Carla Duarte, que atende em Porto Alegre. "Quando essa barreira está comprometida, qualquer vírus circulante tem muito mais facilidade de entrar."
Além disso, o inverno coincide com a circulação dos vírus influenza, VSR (vírus sincicial respiratório) e, nos últimos anos, de variantes ainda ativas de coronavírus. O resultado é uma sobrecarga nos serviços de saúde que se repete a cada temporada fria.
Crianças menores de 5 anos, idosos acima de 60 anos, fumantes, pessoas com diabetes, hipertensão ou doenças pulmonares crônicas como asma e DPOC formam o grupo de maior risco. Para esses perfis, o acompanhamento médico regular durante o inverno é indispensável — e não deve ser adiado por conta de custos ou distância.
No RS, os postos de saúde do SUS atendem casos respiratórios sem necessidade de encaminhamento prévio em boa parte dos municípios. Moradores de cidades menores do interior podem acionar o serviço de telemedicina disponibilizado pelo governo estadual para uma primeira avaliação sem sair de casa.
Médicos e enfermeiros ouvidos pela reportagem relatam que um padrão preocupante vem se repetindo: pacientes que demoram para buscar atendimento por acreditar que o sintoma "vai passar" acabam chegando ao hospital em estado mais grave. Em muitos casos, o que poderia ser tratado com repouso e medicação oral em casa evolui para pneumonia que exige internação.
A mensagem dos especialistas é simples: no inverno gaúcho, agir rápido faz toda a diferença. Cuidar da saúde respiratória não é paranoia — é prevenção.
Se você ou alguém da sua família está apresentando sintomas respiratórios persistentes neste inverno, não espere piorar para buscar atendimento. O posto de saúde mais próximo pode ser o primeiro passo para evitar uma internação.