
Com as temperaturas despencando em boa parte do Rio Grande do Sul, gripes, resfriados e infecções respiratórias voltam a lotar as UBSs. Mas a nutricionista Fernanda Lopes, de Caxias do Sul, diz que a proteção começa bem antes da farmácia — e dentro do prato.
"A maioria dos meus pacientes chega ao inverno já com a imunidade comprometida porque não se alimentou bem no outono", explica Fernanda, que atende pelo SUS e em consultório particular na Serra Gaúcha. "O corpo precisa de nutrientes específicos para produzir células de defesa. E esses nutrientes estão em alimentos simples, acessíveis, que todo gaúcho encontra na feira."
O problema, segundo ela, é que poucos sabem exatamente quais são esses alimentos — e acabam gastando R$ 80, R$ 100 por mês em suplementos que poderiam ser dispensados com uma alimentação mais estratégica.
O que colocar no prato agora
O primeiro da lista é o alho. Barato, fácil de encontrar e poderoso: contém alicina, um composto com ação antibacteriana e antiviral comprovada. A dica de Fernanda é consumir cru ou levemente aquecido — cozido por muito tempo perde parte da atividade.
Logo atrás vem a cebola roxa, prima do alho e igualmente subestimada. Rica em quercetina, um flavonoide com ação anti-inflamatória, ela ajuda o organismo a responder melhor a agentes externos. Uma cebola roxa pequena custa em torno de R$ 2 na maioria das feiras do RS.
O terceiro alimento é o gengibre, que virou febre nos últimos anos — e com razão. "Ele tem gingerol, uma substância com ação anti-inflamatória e antimicrobiana. Funciona muito bem em chás, especialmente combinado com limão e mel", diz a nutricionista Joana Meller, professora de nutrição clínica em Porto Alegre.
Laranja, ovo e fígado: os clássicos que seguem firmes
A laranja parece óbvia, mas merece destaque: é a principal fonte popular de vitamina C no RS, e o estado é um dos maiores produtores de frutas cítricas do país. Consumir uma ou duas unidades por dia já representa contribuição significativa para o sistema imune.
O ovo ganhou reabilitação nos últimos anos e hoje é unanimidade entre nutricionistas. Além de proteína de alto valor biológico, fornece zinco e selênio — dois minerais essenciais para a produção de anticorpos. Uma dúzia de ovos custa entre R$ 9 e R$ 13 no mercado gaúcho, o que o torna um dos alimentos mais custo-eficientes da lista.
O fígado bovino, consumido tradicionalmente no RS — seja à moda gaúcha, seja frito com cebola — é uma das fontes mais ricas de ferro, zinco e vitamina A. Esses três nutrientes trabalham juntos para manter as membranas mucosas (nariz, garganta, pulmões) como barreiras eficientes contra vírus e bactérias.
O sétimo item que a maioria ignora
Fecha a lista a batata-doce, ainda pouco reconhecida pelo seu papel imunológico. Rica em betacaroteno — o pigmento laranja que o corpo converte em vitamina A —, ela é especialmente útil para quem não consome fígado com frequência. Assada no forno ou cozida, pode substituir a batata comum no dia a dia com vantagem nutricional clara.
"O que une esses sete alimentos é que são todos reais, acessíveis e presentes na cultura alimentar gaúcha", resume Fernanda Lopes. "Não é preciso comprar nada importado ou exótico para se proteger no inverno."
Uma mudança pequena, um impacto grande
No inverno gaúcho — onde as temperaturas em cidades como Bento Gonçalves, Vacaria e Cambará do Sul podem chegar a 0°C ou abaixo — a alimentação deixa de ser apenas questão de saúde e vira estratégia de sobrevivência do cotidiano. Faltas no trabalho, consultas médicas e medicamentos custam tempo e dinheiro que poderiam ser evitados com escolhas simples na feira.
A tendência de valorizar alimentos funcionais no inverno tem crescido nos grupos de nutrição do RS, especialmente entre famílias que buscam reduzir o uso de antitérmicos e antibióticos nas crianças.
Se você mora no Rio Grande do Sul e quer passar o inverno com mais disposição e menos idas à farmácia, vale começar pela feira mais próxima — e pelo alho, que provavelmente já está na sua cozinha.
Matéria produzida com informações de nutricionistas do RS. Consulte sempre um profissional de saúde para orientação individualizada.