
Entre julho e outubro, toneladas de vida surgem a poucos metros da costa gaúcha. As baleias-franca-austral chegam todos os anos ao litoral do Rio Grande do Sul para se reproduzir e amamentar seus filhotes — e qualquer pessoa que esteja no lugar certo, na hora certa, pode ver esse espetáculo sem pagar nada.
Mariana Costa, de Caxias do Sul, fez a primeira viagem para ver baleias no ano passado depois de uma amiga postar um vídeo no Instagram. "Eu não sabia que isso acontecia aqui no RS. Pensei que precisava ir para Santa Catarina ou para o exterior", contou. Ela foi até Torres em um sábado de manhã e ficou menos de três horas na beira da praia — tempo suficiente para ver duas baleias com filhotes nadando a menos de 200 metros da areia.
O que atrai esses animais ao litoral gaúcho
As baleias-franca-austral passam o verão se alimentando nas águas frias da Antártida. Quando chega o inverno austral, migram para regiões mais quentes da América do Sul para parir e cuidar dos filhotes. O litoral do Rio Grande do Sul, especialmente a região norte — entre Torres e Tramandaí — está nessa rota migratória.
Elas ficam próximas à costa porque as águas rasas protegem os filhotes de predadores e o mar mais calmo facilita a amamentação. Os bebês nascem com cerca de quatro metros e precisam ganhar peso rapidamente antes da longa viagem de volta para o sul.
A boa notícia: diferente de outras regiões do Brasil, no RS esse fenômeno ainda não é massificado. Não há barcos de turismo com multidões, não há entrada cobrada. Você vai de carro, estaciona na orla e observa.
Onde e quando ver
O melhor período é de julho a outubro, com pico em agosto e setembro. Torres é o ponto mais consolidado — as baleias costumam aparecer próximo às pedras da Praia Grande e da Praia da Cal. Quem está disposto a caminhar um pouco pela orla aumenta as chances de avistamento.
Tramandaí, Imbé e Capão da Canoa também registram aparições, mas com menos frequência. Em anos de maior movimentação, baleias já foram vistas até na Praia de Atlântida e em Cidreira.
O avistamento é mais fácil nas primeiras horas da manhã, quando o mar costuma estar mais calmo e a luz ajuda a enxergar o jato d'água que as baleias soltam ao respirar — o famoso "blow", que pode chegar a cinco metros de altura. Esse jato em forma de "V" é a assinatura da baleia-franca e é visível de longe.
Quanto custa e o que levar
Essa é uma das partes mais surpreendentes: o avistamento de baleias no RS é completamente gratuito. Você não precisa contratar passeio de barco nem pagar entrada em reserva. Basta estar na praia.
Leve binóculo se tiver — faz diferença. Uma câmera com zoom ajuda, mas o celular já serve para registrar o momento. Vista roupa de frio porque o vento na beira do mar gaúcho em agosto é bravo. E leve paciência: às vezes o avistamento acontece em minutos, outras vezes você espera uma hora ou mais.
A principal dica de quem já foi: não fixe os olhos em um ponto só. Varra o horizonte devagar e procure o jato de água ou o arco preto da cauda saindo da superfície.
2026 pode ser um ano especial
Pesquisadores que acompanham a migração das baleias-franca no Sul do Brasil registraram nas últimas temporadas um aumento no número de animais avistados. Acredita-se que isso seja reflexo de décadas de proteção legal à espécie, que foi caçada até quase a extinção e hoje está em recuperação populacional.
Grupos de observação amadora já se formaram em Torres e divulgam avistamentos em tempo real por grupos de WhatsApp e perfis no Instagram. Quem entra nesses grupos recebe alertas quando alguém vê uma baleia na praia — o que transforma uma visita às cegas em uma ida certeira.
Se você mora no RS e ainda não foi ver as baleias, a temporada de 2026 começa em julho. Torres fica a menos de 220 km de Porto Alegre — uma viagem de fim de semana que dificilmente você vai esquecer.