
Em um cenário marcado por volatilidade econômica, pressão por eficiência e transformações constantes nos modelos de negócio, os conselhos de administração passaram a ocupar posição cada vez mais estratégica dentro das empresas brasileiras. Mais do que estruturas formais de governança, esses órgãos vêm sendo encarados como instrumentos fundamentais para gestão de riscos, planejamento de longo prazo e sustentabilidade corporativa.
Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), companhias com práticas estruturadas de governança tendem a apresentar maior capacidade de adaptação em períodos de instabilidade, além de fortalecerem transparência, previsibilidade e confiança junto a investidores e stakeholders. O movimento acompanha uma tendência global de profissionalização da gestão empresarial, especialmente em setores intensivos em capital e infraestrutura.
Para o executivo Ernesto Heinzelmann, presidente de conselhos empresariais, o fortalecimento dos conselhos responde à necessidade de decisões mais estratégicas e menos centralizadas: “As empresas vivem hoje em um ambiente muito mais complexo do que há duas décadas. O conselho de administração ajuda a ampliar a visão, equilibrar riscos e construir decisões mais sustentáveis para o longo prazo”, afirma.
Com trajetória ligada à indústria, infraestrutura, inovação e desenvolvimento empresarial, Heinzelmann atua há décadas em estruturas de governança corporativa e defende que o conselho moderno deixou de ter função apenas fiscalizatória.
O crescimento da relevância dos conselhos acompanha a evolução da própria governança corporativa no Brasil. Nos últimos anos, empresas de diferentes setores passaram a ampliar investimentos em compliance, gestão de riscos e planejamento estratégico, impulsionadas tanto por exigências regulatórias quanto pela pressão do mercado por maior transparência.
Dados do IBGC indicam que companhias com governança mais madura conseguem responder de maneira mais eficiente a crises econômicas e desafios operacionais, especialmente em segmentos ligados à infraestrutura, construção civil e logística.
Na avaliação de Ernesto Heinzelmann, o conselho funciona como uma instância de equilíbrio estratégico dentro das organizações. “Quando você reúne experiências diferentes em torno de uma mesma mesa, a empresa ganha capacidade de antecipar cenários e evitar decisões impulsivas. Isso é essencial em ciclos econômicos mais desafiadores”, explica.
Um estudo da consultoria Deloitte Brasil sobre tendências de governança aponta que conselhos vêm assumindo papel crescente em temas como transformação digital, sucessão executiva, sustentabilidade e cultura organizacional.
Para Heinzelmann, o desafio atual das empresas está justamente em equilibrar resultados imediatos com visão estratégica: “O conselho não pode olhar apenas o trimestre seguinte. Ele precisa discutir perenidade, inovação, sucessão e impacto de longo prazo. Empresas sólidas são construídas com consistência, não apenas com crescimento rápido”, afirma.
Segundo ele, a diversidade de experiências dentro dos conselhos também passou a ser um diferencial competitivo importante, principalmente diante da velocidade das mudanças econômicas e tecnológicas. “Hoje nenhum executivo consegue sozinho dominar todas as variáveis do mercado. A liderança colegiada traz inteligência coletiva para decisões cada vez mais complexas”, avalia.
O fortalecimento dos conselhos de administração acompanha uma transformação mais ampla da gestão empresarial brasileira. Em vez de estruturas concentradas em lideranças individuais, cresce a valorização de modelos baseados em governança compartilhada, planejamento estruturado e decisões orientadas por análise de riscos.
Na visão de Ernesto Heinzelmann, esse movimento tende a se intensificar nos próximos anos, especialmente em empresas que atuam em setores ligados à infraestrutura, mercado imobiliário e desenvolvimento econômico regional. “As organizações que terão longevidade serão aquelas capazes de combinar inovação, governança e visão estratégica. O conselho é uma peça central dessa construção”, conclui.
Ernesto Heinzelmann é empresário e ex-presidente da Embraco, onde atuou por mais de três décadas e liderou a expansão internacional da empresa. Atualmente, preside a Heinzelmann Consultoria Empresarial e os conselhos da Portinvest, Rôgga Empreendimentos, Instituto Coree e Musicarium Academia Filarmônica Brasileira, além de integrar o conselho do Porto Itapoá.
Reconhecido por sua atuação em inovação, educação e responsabilidade social, é fundador do Movimento Catarinense pela Excelência e cofundador do Projeto Resgate. Também é membro da Academia Nacional de Engenharia (ANE) e Cidadão Benemérito de Joinville.