
O Oriente Médio voltou a ser palco de uma guerra sem precedentes. Desde junho de 2025, Israel e Irã travam um conflito aberto que mobilizou potências globais, ameaçou o fornecimento mundial de petróleo e reconfigurou o mapa geopolítico da região. Mas afinal, <strong>por que Israel atacou o Irã?</strong> A resposta envolve décadas de tensão, o medo da bomba nuclear e uma janela de oportunidade que Netanyahu decidiu aproveitar.
O início: a Operação Leão Crescente
Na madrugada do dia 13 de junho de 2025, Israel lançou ataques aéreos coordenados contra alvos estratégicos no Irã, na chamada "Operação Leão Crescente". Explosões atingiram a capital Teerã e outras cidades importantes, como Natanz e Isfahan.
O ataque não foi uma decisão de última hora. Netanyahu revelou que havia autorizado a operação em novembro de 2024 — mais de seis meses antes da execução.
O principal motivo: o medo da bomba nuclear
A justificativa central de Israel era a iminência de uma capacidade nuclear iraniana. Segundo os israelenses, o Irã já tinha urânio enriquecido suficiente para até 9 ogivas nucleares e vinha acelerando o processo nos últimos três meses. A inteligência israelense descobriu que o Irã havia formado um "grupo de armas" nuclear após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, conduzindo experimentos bem-sucedidos com componentes de armas nucleares.
O "breakout time" — tempo necessário para produzir material físsil suficiente para uma arma nuclear — havia sido reduzido para apenas uma ou duas semanas. Para Netanyahu, era agir agora ou nunca.
O Irã, por sua vez, sempre negou qualquer intenção militar, afirmando que seu programa nuclear é exclusivamente voltado para a geração de energia.
Por que Israel escolheu aquele momento?
Além do argumento nuclear, Israel enxergou uma rara janela de oportunidade geopolítica. Após a queda do regime de Bashar al-Assad na Síria, um importante aliado iraniano, e o enfraquecimento do Hezbollah no Líbano, Israel lançou uma guerra contra o próprio Irã.
Outros fatores também pesaram na decisão:
O Irã vivia uma grave crise interna, com protestos populares, inflação alta e colapso do rial. No final de dezembro de 2025, grandes protestos anti-regime eclodiram em todo o país, impulsionados pela crise econômica.
Internamente, Netanyahu estava em seu momento de maior isolamento internacional desde o início do conflito com o Hamas em 2023, com aliados como França, Reino Unido, Espanha e Alemanha fazendo críticas públicas a Israel pelas condições em Gaza. Um ataque ao "inimigo existencial" ajudava a reorientar a narrativa.
Além disso, havia o risco de um acordo diplomático fechar a janela de ação: o clima de máxima tensão se deu a três dias de uma nova rodada de negociações entre Irã e EUA, justamente quando o Irã foi questionado pelo Organismo Internacional de Energia Atômica por descumprir compromissos nucleares.
A entrada dos Estados Unidos
O conflito escalou de forma dramática em fevereiro de 2026. Em 28 de fevereiro de 2026, Israel e os Estados Unidos lançaram um ataque conjunto coordenado contra vários locais no Irã. Batizado de Operação Leão Rugidor por Israel e Operação Fúria Épica pelos EUA, o ataque teve como alvo importantes autoridades iranianas, comandantes militares e instalações, e visava a mudança de regime. O ataque foi precedido por negociações nucleares indiretas mediadas por Omã, que terminaram sem acordo.
A operação israelense bombardeou mais de 150 alvos em solo iraniano, incluindo centros militares e estruturas nucleares. Com a operação "Midnight Hammer", os americanos atacaram instalações subterrâneas de enriquecimento de urânio em Isfahan, Natanz e Fordow, usando aviões B-2 e bombas bunker-buster de 14 toneladas.
O impacto para o mundo
As consequências foram imediatas e globais. O impacto econômico da guerra, descrito como a maior perturbação no fornecimento mundial desde a crise energética dos anos 1970, incluiu aumento dos preços do petróleo e do gás, perturbações generalizadas na aviação e no turismo e maior volatilidade nos mercados financeiros. O Irã fechou o Estreito de Ormuz, interrompendo os envios globais de energia.
O cessar-fogo e a situação atual
Após doze dias de conflito aberto, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que Israel e Irã concordaram com um "cessar-fogo completo e total", com implementação escalonada nas primeiras 24 horas.
Mas a trégua se mostrou frágil. A situação do cessar-fogo ficou ainda mais confusa quando Teerã acusou Israel de violar o acordo ao lançar um ataque massivo contra o Líbano. Israel e os EUA insistiram que o Líbano não fazia parte do cessar-fogo com o Irã.
Israel redesenhou o mapa do Oriente Médio, emergindo como a principal potência militar da região. Se a paz vai se consolidar ou se novos capítulos estão por vir, o mundo — e os mercados — seguem de olho.