
A acusação contra Cristiano Domingues abrange dois feminicídios (Silvana e Dalmira) e homicídio (Isail), somados aos crimes de ocultação de cadáver, abandono de incapaz, falsidade ideológica, furto qualificado, fraude processual, falso testemunho e associação criminosa. Milena, igualmente denunciada por envolvimento no duplo feminicídios e homicídio, ainda responde por furto qualificado, ocultação de cadáver, falso testemunho, fraude processual e associação criminosa.
Não houve denúncias contra Paulo da Silva, Ivone Ruppenthal e Maria Rosane Domingues Francisco, respectivamente amigo e mães de Milena e Cristiano. Segundo o MPRS, apesar do indiciamento da Polícia Civil, as mães não foram denunciadas por associação criminosa, sendo promovido arquivamento parcial desse crime. Não é descartada a possibilidade de acusá-las por fraude processual, mas com oferecimento de Acordo de Não Persecução Penal.
Em relação a Paulo, amigo do casal, o MPRS entendeu por arquivar os indiciamentos por fraude processual e associação criminosa, apontando que não havia elementos suficientes para tais acusações. Já sobre a suspeita de falso testemunho dele no inquérito, foi determinada a extração de autos em separado, visando análise específica desse delito.
Ao acusar Milena de atuação direta nas mortes, o MPRS divergiu do inquérito policial. Na visão do promotor Caio Isola de Aro, à frente da denúncia, ela teria buscado o enteado de nove anos, filho de Cristiano e Silvana, para que a mulher pudesse ser morta, além de ter utilizado a voz da vítima em áudios de inteligência artificial enviados aos pais dela, na intenção de atraí-los a uma emboscada.
“Milena não participou do ato material de matar os três vitimados, mas teve contribuição imprescindível [nas mortes]. Ela se aproveitou de um encontro já marcado com amigos e retirou a criança da companhia da mãe, permitindo que Cristiano ficasse livre para exercer o ato material. Fora isso, como técnica de informática, tem conhecimento de aplicativos e inteligência artificial. A função dela foi de fundo, mas importante para que as mortes se consumassem”, afirmou o promotor Caio Isola de Aro.
Jeverson Barcellos não comenta a ação. Entretanto, reafirma que seu cliente diz não ter qualquer envolvimento com o sumiço e morte da família Aguiar
A Defesa técnica de WAGNER DOMINGUES FRANCISCO vem a público manifestar-se acerca da coletiva de imprensa realizada na data de hoje, pelo Ministério Público, relativa ao caso da família Aguiar. Inicialmente, cumpre esclarecer que, desde a última manifestação, a situação da Defesa permanece inalterada, não tendo sido franqueado acesso à integralidade dos expedientes, tampouco ao volume de dados e elementos informativos mencionados pelo Ministério Público, apesar dos requerimentos já formulados ao juízo. Nesse contexto, as acusações até então divulgadas, tanto pela Polícia Civil quanto pelo Ministério Público, consistem em versões unilaterais, não submetidas ao contraditório e à ampla defesa, o que impõe cautela na formação de qualquer juízo conclusivo. Com o oferecimento da denúncia e o início da ação penal, WAGNER DOMINGUES FRANCISCO terá assegurado o exercício pleno de sua defesa, oportunidade em que poderá se manifestar de forma técnica, dentro do devido processo legal, e apresentar os esclarecimentos necessários acerca dos fatos.
A reportagem tenta contato com Suelén Lautenschleger. Leia a nota mais recente enviada por ela:
A defesa de Milena, Paulo, Maria Rosane e Ivone informa que, ao longo do regular trâmite processual, será devidamente demonstrada — com a garantia do contraditório e da ampla defesa — a inocência dos envolvidos, bem como a fragilidade dos indícios apresentados no inquérito policial.
Ressalta-se, ainda, que serão levadas ao conhecimento do Poder Judiciário as irregularidades ocorridas durante a investigação, somadas a eventuais abusos praticados, os quais serão oportunamente apurados pelos meios legais cabíveis.
A defesa reitera sua confiança na Justiça e no devido processo legal, certos de que os fatos serão esclarecidos de forma técnica e fundamentada.
Declaram-se absolutamente inocentes das acusações