Terça, 28 de Julho de 2026
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A “Estrada de Tijolos Amarelos” existe de verdade e fica a 3.000 metros abaixo do Oceano Pacífico

A 3.000 metros de profundidade no Oceano Pacífico, pesquisadores encontraram uma formação rochosa com blocos amarelados e ângulos perfeitos de 90 graus. A ciência explica o que parece impossível.

Por: Redação Acontece no RS
26/04/2026 às 14h49
A “Estrada de Tijolos Amarelos” existe de verdade e fica a 3.000 metros abaixo do Oceano Pacífico
Ninguém esperava encontrar uma estrada a mais de 3.000 metros abaixo da superfície do Oceano Pacífico Ninguém esperava encontrar uma estrada a mais de 3.000 metros abaixo da superfície do Oceano

Ninguém esperava encontrar uma estrada a mais de 3.000 metros abaixo da superfície do Oceano Pacífico. Quando as câmeras do ROV captaram aquela formação rochosa com blocos amarelados e ângulos perfeitos de 90 graus, a reação pelo rádio foi imediata.

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"É o caminho para Atlântida", exclamou um dos pesquisadores. Outro completou: "A estrada de tijolos amarelos?"

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Não era magia, não era civilização perdida — mas o que a ciência encontrou no fundo do Pacífico é igualmente fascinante.

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Onde fica a tal estrada?

A formação foi descoberta em abril de 2022 por pesquisadores do Ocean Exploration Trust, a bordo do navio de exploração E/V Nautilus. O veículo submarino operado remotamente (ROV) captou as imagens a mais de 3.000 metros de profundidade e as transmitiu ao vivo para a equipe de bordo.

A localização é a Cordilheira Liliʻuokalani, ao norte do Havaí, dentro do Monumento Nacional Marinho Papahānaumokuākea (PMNM) — uma das maiores áreas marinhas protegidas do mundo.

A estrutura impressiona pela regularidade: blocos amarelados com fraturas em ângulos retos, alinhados como tijolos de pavimento. A gravação do momento, com as exclamações dos pesquisadores, viralizou globalmente.

Então não é obra humana?

Não. Conforme o Science Alert, a aparência quase artificial é resultado de um processo geológico preciso, sem nenhuma interferência humana.

A rocha que forma a "estrada" é chamada hialoclastito (hyaloclastite) — uma rocha vulcânica criada quando lava em erupção entra em contato brusco com a água fria do fundo do mar, solidificando-se rapidamente. Com o tempo e os ciclos repetidos de aquecimento e resfriamento provocados por múltiplas erupções, a rocha fratura-se em padrões geométricos regulares.

O resultado são:

  • Fraturas em ângulos de 90 graus causadas pelo estresse térmico de ciclos sucessivos de erupção
  • Coloração amarelada, resultado da composição mineral e da oxidação ao longo de milênios
  • Superfície "escamável", típica do resfriamento brusco do hialoclastito
  • Alinhamento regular dos blocos que imita visualmente um pavimento construído

O aspecto "seco" e "escamável", semelhante a um leito de lago ressecado, é uma característica típica dessa classe de formação vulcânica.

Por que nosso cérebro vê uma estrada onde há rocha?

Tem nome científico para isso: pareidolia. É a tendência do cérebro humano de identificar padrões familiares em formas aleatórias — o mesmo mecanismo que faz alguém enxergar rostos em nuvens fez pesquisadores treinados exclamarem "Mágico de Oz" ao ver o hialoclastito.

O vídeo abaixo, do canal Ciência News, explica em detalhes o processo geológico e o fenômeno da pareidolia por trás da descoberta:

O que essa descoberta realmente significa?

A formação está protegida dentro do PMNM, o que a resguarda de pesca, mineração e outras atividades destrutivas. Mas o dado mais revelador da expedição é outro: estima-se que menos de 0,001% do fundo oceânico profundo da Terra foi observado diretamente por pesquisadores.

Segundo o Yahoo News, a importância científica da descoberta vai além do apelo visual. Os dados levantados durante a expedição ajudam a compreender como processos geotérmicos e vulcânicos subaquáticos moldam o leito oceânico e fornecem informações sobre a formação de montes submarinos na região.

O oceano cobre mais de 70% da superfície do planeta — e a maior parte dele ainda é território completamente desconhecido. Cada expedição que desce a 3.000 metros não vai ao fundo do mar. Vai ao início de algo que a ciência mal começou a entender.