
Uma execução registrada há mais de dois anos teve como resposta a Operação Osculum Judae, somando efetivo superior a 100 policiais civis e militares nesta quarta-feira em Viamão, na Região Metropolitana. Em janeiro de 2024, o corpo de Maximiliano Conceição, 45 anos, foi encontrado em um carro carbonizado na área rural da cidade. A facção Os Manos seria responsável.
A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Viamão, à frente dos trabalhos, concluiu que o homem foi atraído para emboscada após receber falsa oferta de drogas. Sua morte teve orquestração de dois suspeitos, via WhatsApp.
"Vamos sair do posto de gasolina agora. Ele [vítima] está dirigindo o veículo. Quando encostarmos, tu já tem que estar pronto”, disse em áudio um investigado ao outro. Nesta manhã, quatro foram presos.
O assassinato teria relação com divergências do tráfico no bairro Tarumã. A vítima mantinha contato com seus algozes, mas não integrava o mesmo núcleo criminoso deles, sendo apenas conhecidos.
Essa traição inspirou o título da ofensiva, Osculum Judae, que significa “beijo de Judas”. Além da DHPP de Viamão, sob o comando do delegado Rafael Naves, a ação também contou com outras unidades da especializada, além de guarnições do 18º Batalhão de Polícia Militar (BPM).
"Não toleramos homicídios no Rio Grande do Sul. Todos os envolvidos em delitos contra a vida serão punidos com rigor da lei, até mesmo nos casos em que a vítima também tenha histórico criminal. A facção que provocar mortes terá prejuízo máximo”, alertou o diretor do Departamento Estadual de Homicídios, delegado Mario Souza.
A operação teve base no Protocolo das Sete Medidas Contra Homicídios, que prevê a transferência de presos, primeiro em âmbito estadual e depois ao sistema federal, asfixia financeira das facções, saturação de área, indiciamento de mandantes, apreensões pontuais, aumento de revistas em presídios e operações contra lavagem de dinheiro.
O método é oriundo da teoria da Dissuasão Focada, que visa reduzir crimes contra a vida por meio da repressão seletiva de pessoas, no caso, as responsáveis por ordenar assassinatos. Em outras palavras, o foco é influenciar os mandantes para que não provoquem mortes.
O criador da técnica foi o criminologista norte-americano David Kennedy, professor da Universidade de Nova York. A metodologia teve aplicação nos Estados Unidos, em Boston, onde houve redução brusca de homicídios nos anos 1990. Outro case é a Colômbia, que registrou menor nível de violência dos últimos 40 anos em Medellín.