Terça, 28 de Julho de 2026
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Municípios atingidos pela enchente no RS apostam em estratégias de regeneração para o futuro

No primeiro painel do Guaíba Regeneration Summit, prefeitos de Guaíba, Eldorado do Sul e Porto Alegre comentam sobre ações de resiliência e reconstrução após as catástrofes climáticas.

Por: Redação Acontece no RS Fonte: Correio do Povo
19/03/2026 às 18h56
Municípios atingidos pela enchente no RS apostam em estratégias de regeneração para o futuro
Prefeito de Guaíba, Marcelo Maranata; de Porto Alegre, Sebastião Melo e de Eldorado do Sul, Juliana Carvalho participaram do painel “Cidades que se regeneram inspiram o mundo” Foto : Leticia Pasuch / Especial / CP

Investimentos em sistema de proteção de cheias, apostas no impulsionamento do turismo e responsabilização de entes governamentais foram as principais pontos citados para as estratégias de regeneração dos municípios de Guaíba, Eldorado do Sul e Porto Alegre, entre os mais atingidos pelos últimos eventos climáticos extremos. Os prefeitos de Guaíba, Marcelo Maranata, de Porto Alegre, Sebastião Melo e de Eldorado do Sul, Juliana Carvalho estiveram presentes no Guaíba Regeneration Summit, no painel “Cidades que se regeneram inspiram o mundo”, que ocorreu na manhã desta quinta-feira no Largo José Cláudio Machado, em Guaíba. O mediador do painel foi o fundador e CEO da GOV.UP, Paulo Renato Ardenghi.

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Marcelo Maranata destacou que todas as dificuldades por que passou vem como uma "bênção disfarçada", em que utilizou a situação para solucionar problemas e unir mais a comunidade. "Você pode olhar para frente, decidi enfrentar o desafio, mesmo desconhecido, fazer tudo que pode fazer durante aquele período, mas tirar o máximo de proveito para aquela situação que nos une, que nos fortalece. Isso aconteceu porque a pandemia nos separou e a enchente nos uniu. A nossa comunidade está mais forte, mais unida, mais preocupada um com o outro, todo mundo precisou de ajuda de todo mundo", afirmou.

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O prefeito lembrou que o município trabalhou para reconstruções emergenciais e que 60 dias após a enchente, já estava concluída a obra pronta da travessia do Ipê, em que o município utilizou recurso federal. Maranata ainda destacou que, hoje, Guaíba está voltada para o impulsionamento do turismo como mola de desenvolvimento, com o objetivo de voltar a atrair investidores para a região. "A gente está olhando para essa indústria, não só para deixar a cidade mais resiliente, preparada, ou também tirar o medo do empresário, protegendo áreas importantes para o crescimento do desenvolvimento da região metropolitana", disse.

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Ao pontuar como Porto Alegre está se posicionando na resiliência climática, Melo reconheceu a existência dos impactos decorrentes do aquecimento global, e ressaltou que não há transição climática sem planejamento e recurso. Ao lembrar que esteve presente na COP 30, em Belém, afirma que há muito discurso e pouca implantação em diversos países do mundo. "Nós tínhamos dois caminhos: o caminho de buscar culpados, ou o caminho de buscar soluções. Para mim, resiliência é levar um 'tombaço', levantar e caminhar melhor".

Ainda, pontuou que a organização da proteção de cheias e soluções para a questão climática de uma cidade envolve o empenho das demais do entorno. "O Guaíba é formado por cinco rios e mais de 200 afluentes jogam água no Guaíba. Não adianta construir a muralha da China na região metropolitana se você não tiver atitudes climáticas em relação à bacia do Guaíba".

Melo lembrou que Porto Alegre teve 30% do seu território atingido com a enchente, e prejuízos de R$ 12 milhões, com mais de R$ 100 milhões distribuídos apenas em limpeza. Ainda, destacou a entrega de projetos, como a recomposição do sistema de proteção de cheias, e outros recursos de fundos do governo estadual que o município captou. Por fim, ressaltou que a mitigação dos efeitos dos gases de efeito estufa só será efetiva com atitudes concretas, e que isso não envolve apenas o governo, mas atitudes da sociedade.

Prefeita de Eldorado, Juliana Carvalho assumiu a prefeitura no momento em que o município já passava pelo processo de reconstrução. "Reconstruir uma cidade que foi devastada pela enchente de 2024 sozinha já seria uma missão quase impossível. Muita gente duvidou, né? E dúvida talvez, mas acredito que agora é muito menos do que antes. Porque a gente está, literalmente, trocando o pneu com o carro andando", começou.

Ela também destacou o auxílio que teve de outros municípios, e elogiou a atuação dos governos estadual e federal, mas ressaltou que os recursos municipais são impossíveis para investir em obras e de projetos de prevenção, destacando a ação de outros entes. "A gente não pode esquecer de quem é a responsabilidade. Qual é o colega prefeito que tem condições de, com recursos próprios municipais, dar conta de mais isso. Isso tem que ser prioridade no Rio Grande do Sul, depois de tudo que passou, mas como nós prefeitos vamos pagar essa conta? É impossível, completamente inviável, a conta não fecha".

O evento segue durante a tarde desta quinta-feira e ao longo de sexta, dia 20, no Largo José Cláudio Machado, em Guaíba.