
Após quase seis anos de espera, o caso que chocou a comunidade de Casca, no norte do Rio Grande do Sul, terá um novo capítulo. Os acusados pelo duplo homicídio de mãe e filha, ocorrido em junho de 2020, irão a Júri Popular no próximo dia 31 de março, a partir das 9h, no Fórum do município.
O crime aconteceu na noite de 14 de junho de 2020, na localidade de Capela Geral Velha, interior de Casca. Na ocasião, Neusa Maria Rapkievicz, de 56 anos, e sua filha, Ana Paula Rapkievicz, de 32 anos, foram assassinadas dentro de um veículo Ford Focus. O carro foi encontrado em um barranco de uma estrada vicinal, com a porta do motorista aberta. Ambas as vítimas apresentavam perfurações causadas por disparos de arma de fogo.
Mãe e filha residiam a cerca de 300 metros do local onde foram encontradas. Conforme as investigações, elas retornavam para casa na noite daquele domingo, após realizarem a entrega da neta de Neusa, em um compromisso familiar quinzenal, quando foram surpreendidas por uma emboscada. A ação criminosa teria sido planejada previamente, dificultando qualquer possibilidade de reação das vítimas.
De acordo com a Polícia Civil, o duplo homicídio foi motivado por desavenças entre famílias, sendo caracterizado como crime por motivo torpe. As investigações apontaram a participação de diversos envolvidos, incluindo mandantes e executores.
Em setembro de 2020, seis pessoas foram presas suspeitas de envolvimento no crime. Entre elas, os três apontados como mandantes foram detidos em Casca, enquanto um dos executores foi capturado em Guaporé. Outros dois envolvidos já se encontravam no sistema prisional por crimes distintos, sendo um por tráfico de drogas em Casca e outro por roubo em Florianópolis, Santa Catarina.
Um dos suspeitos, apontado como o autor dos disparos e considerado “matador de aluguel”, permaneceu foragido por anos. Ele foi localizado e preso apenas em abril de 2025, no bairro Canudos, em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, encerrando a lista de investigados procurados pelas autoridades.
O julgamento pelo Tribunal do Júri marca um momento aguardado tanto pelos familiares das vítimas quanto pela comunidade local. A expectativa é de que, com a análise dos fatos e das provas reunidas ao longo da investigação, o caso tenha um desfecho judicial.
A acusação será conduzida pelo Ministério Público, com o apoio das advogadas assistentes de acusação, Luciana Simionovski e Rebeca Canabarro. Familiares das vítimas destacam que aguardam pela realização do julgamento há anos, na esperança de que a justiça seja feita.