Quinta, 30 de Julho de 2026
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Osteoporose avança no Brasil e maioria dos pacientes ainda não sabe do diagnóstico

Aprenda mais sobre a osteoporose

Por: Lucas
12/03/2026 às 10h20
Osteoporose avança no Brasil e maioria dos pacientes ainda não sabe do diagnóstico

Uma queda comum, daquelas que qualquer pessoa sofreria sem maiores consequências. Uma fratura grave, semanas de internação, meses de reabilitação. Em muitos casos, esse é o primeiro sinal de que a osteoporose estava presente há anos, silenciosa e sem aviso.

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Esse cenário se repete com frequência no Brasil e no mundo. A osteoporose é caracterizada pela redução progressiva da densidade mineral óssea, que torna os ossos cada vez mais frágeis.

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O problema não é a doença em si, mas o fato de ela não produzir sintomas visíveis enquanto avança. Quando o paciente sente algo, o quadro costuma já ter atingido um estágio comprometedor.

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Segundo estimativas do Ministério da Saúde, entre 10 e 15 milhões de brasileiros convivem com a condição. De acordo com dados citados pelo próprio Ministério, apenas 20% desse total recebeu diagnóstico. Oito em cada dez pessoas com osteoporose, portanto, não sabem que têm.

Por que a doença avança sem ser notada

A osteoporose é classificada como doença metabólica óssea. A perda de massa óssea começa de forma gradual, sem dor, sem sintoma perceptível no cotidiano. O osso vai se tornando poroso, com microarquitetura progressivamente mais fraca, mas a pessoa segue suas atividades normais sem qualquer sinal de alerta.

O diagnóstico depende de exame específico: a densitometria óssea. Sem esse rastreamento ativo, a doença permanece invisível até que ocorra uma fratura por baixo impacto, isto é, provocada por uma queda da própria altura ou por um esforço mínimo que, em uma pessoa com ossos saudáveis, não causaria nenhum dano.

Dados do estudo BRAZOS (Brazilian Osteoporosis Study), a maior pesquisa epidemiológica de base populacional sobre o tema no país, identificaram que fraturas por fragilidade óssea atingem 15,1% das mulheres e 12,8% dos homens com mais de 40 anos. O antebraço distal, o quadril e a coluna vertebral são os locais mais afetados.

O quadril merece atenção especial. Uma fratura nessa região eleva a taxa de mortalidade entre 12% e 20% nos dois anos seguintes ao evento, conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Osteoporose do Ministério da Saúde, atualizado em 2023.

Pesquisa conduzida em hospitais públicos do Rio de Janeiro verificou mortalidade de 23,6% nos três meses após a fratura de fêmur. No estado de São Paulo, foram registradas mais de 87 mil internações por fratura de fêmur em idosos só entre 2019 e 2023, segundo dados do DATASUS.

Quem está mais exposto

A osteoporose afeta pessoas de todos os perfis, mas alguns grupos apresentam risco consideravelmente mais alto. Mulheres na pós-menopausa respondem pela maior parcela dos casos. O declínio do estrogênio após a menopausa impacta diretamente a densidade óssea, acelerando a perda de massa óssea de forma significativa.

Estimativas do Ministério da Saúde apontam que cerca de 50% das mulheres e 20% dos homens a partir dos 50 anos sofrerão ao menos uma fratura osteoporótica ao longo da vida. Após os 70 anos, essa proporção de 50% passa a incluir ambos os sexos.

Além do gênero e da idade, outros fatores ampliam o risco: histórico familiar de fraturas, sedentarismo, tabagismo, baixo consumo de cálcio e vitamina D, uso prolongado de glicocorticoides e doenças associadas como diabetes, artrite reumatoide e alterações da tireoide. O peso corporal também entra na conta: pessoas com baixo índice de massa corporal têm maior vulnerabilidade.

A International Osteoporosis Foundation (IOF) estima que, no mundo, uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens com mais de 50 anos apresentem a condição. No Brasil, a ABRASSO (Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo) projeta 10 milhões de casos.

O papel do endocrinologista no diagnóstico e tratamento

A osteoporose não é uma doença de ortopedista ou clínico geral exclusivamente. O metabolismo ósseo é uma área da endocrinologia e metabologia, e o endocrinologista reúne a formação específica para investigar causas secundárias da perda de massa óssea, avaliar o perfil hormonal do paciente e conduzir o tratamento de forma integrada.

Para quem busca um especialista em osteoporose, a avaliação começa pela anamnese detalhada e pela densitometria óssea, seguida da dosagem de cálcio, vitamina D e outros marcadores relevantes.

Causas secundárias precisam ser investigadas antes de iniciar qualquer protocolo medicamentoso, pois uma osteoporose provocada por hipotireoidismo, hiperparatireoidismo ou uso de determinados medicamentos exige abordagem diferente da forma primária associada ao envelhecimento.

O tratamento combina medidas não medicamentosas e medicamentosas. No primeiro grupo, estão a suplementação adequada de cálcio e vitamina D, a prática regular de exercícios resistidos, a cessação do tabagismo e a redução do consumo de álcool.

No campo farmacológico, o arsenal inclui bisfosfonatos, denosumabe, teriparatida e romosozumabe, com indicações baseadas no risco de fratura calculado por ferramentas como o FRAX e o escore T da densitometria.

Diagnóstico precoce muda o prognóstico

A osteoporose tem tratamento eficaz, e o diagnóstico precoce altera de forma concreta o curso da doença. Iniciar o acompanhamento antes da primeira fratura permite preservar a densidade óssea, reduzir o risco de eventos graves e manter a qualidade de vida.

O problema é que muitos pacientes só chegam ao consultório depois de uma fratura por fragilidade ou depois de anos com dores que foram atribuídas a outras causas. Nesse intervalo, a doença avançou em silêncio, e o osso já perdeu densidade que será difícil de recuperar.

A UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo) projeta que o número de fraturas de quadril no Brasil será triplicado até 2050 em função do envelhecimento da população.

Atualmente, o país registra cerca de 121.700 fraturas de quadril por ano. A maior parte poderia ser evitada ou ter consequências menos graves se o diagnóstico viesse antes.

Para mulheres a partir dos 65 anos e para homens a partir dos 70 anos, a densitometria óssea é indicada como rastreamento mesmo sem sintomas. Em pessoas com fatores de risco, o exame pode ser recomendado ainda mais cedo. O primeiro passo é uma consulta com profissional habilitado para avaliar o histórico clínico e indicar o momento certo do rastreamento.

O custo do atraso para o sistema de saúde e para o paciente

A médica endocrinologista Dra. Camila Farias, que exerce a medicina na cidade de Goiânia orienta que, tratar a osteoporose diagnosticada precocemente custa muito menos do que tratar as consequências de uma fratura grave.

Uma hospitalização por fratura de fêmur exige, na maioria dos casos, cirurgia, internação em UTI e meses de reabilitação. Nos anos seguintes, o risco de nova fratura aumenta de forma exponencial, criando o que os especialistas chamam de cascata fraturária.

Um estudo publicado na Revista Contemporânea com dados do DATASUS identificou impacto financeiro expressivo das fraturas de fêmur para o sistema de saúde pública.

Pacientes idosos com fraturas por fragilidade óssea permanecem internados por períodos significativamente mais longos do que a média de outras internações, comprometendo leitos hospitalares e aumentando custos assistenciais.

Para o paciente, o custo é ainda mais imediato: perda de mobilidade, dependência de terceiros, risco de vida e redução abrupta da autonomia. Fraturas vertebrais recorrentes levam à deformidade postural permanente e à dor crônica.

Fraturas de quadril, mesmo tratadas com sucesso cirúrgico, exigem reabilitação prolongada e deixam sequelas funcionais em parcela significativa dos casos.

A mensagem dos especialistas em metabolismo ósseo é direta: a osteoporose é uma doença que pode ser prevenida, rastreada e tratada. O que não pode é ser ignorada enquanto avança.