
A próxima temporada de Verão no Litoral Norte deverá ser a última sem as obras ou a operação do Porto Meridional, em Arroio do Sal. Isso porque, com o avanço nas etapas burocráticas para a construção do terminal portuário, a previsão da empresa DTA Engenharia, responsável pelo projeto, é de que as obras iniciem no primeiro trimestre de 2027. Atualmente, o empreendimento está em fase de licenciamento ambiental, com a realização de audiências públicas.
Os encontros, autorizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) após análise da documentação encaminhada, são necessários para discutir o Estudo e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) apresentados pela empresa. Ainda de acordo com a DTA Engenharia, o grupo empreendedor já desembolsou montante importante de investimentos ao longo dos últimos 6 anos na aquisição de lotes, elaboração dos estudos técnicos e ambientais, centenas de levantamentos de campo e projetos de engenharia.
O prazo para a conclusão da construção do empreendimento é de apenas 30 meses após o início das obras. A previsão é de que, ao todo, os investimentos superem a marca dos R$ 6 bilhões, gerando até 2 mil empregos diretos e outros 5 mil indiretos. O Porto Meridional de Arroio do Sal terá uma capacidade de movimentação de 53 milhões de toneladas por ano, com 10 berços para atracação de grandes navios, sendo oito para contêineres, granéis sólidos, granéis líquidos e gás, e dois para transatlânticos.
Enquanto as obras não começam, a sensação dos moradores é agridoce. O aposentado Jorge Luiz de Araújo reside em uma área que, no futuro, será vizinha do Porto Meridional, entre Arroio do Sal e o balneário de Rondinha. Apesar de temer prejuízos ambientais e de qualidade de vida, ele aponta que o empreendimento será importante para o desenvolvimento da cidade, tanto pelos empregos como pelo fomento de empresas de comércio e serviços em função do terminal portuário.
“Compramos a casa aqui em 2006 pela calmaria e por ser perto da praia. Com a vinda do porto, teremos aspectos positivos e negativos. Deve aumentar o comércio e a arrecadação da prefeitura. Mas me preocupa quanto à praia. Pela quantidade de navios atuando aqui, podem ocorrer vazamentos de óleo e atrapalhar. Além disso, vai ter barulho de trânsito de caminhões 24 horas por dia. E vai dar para ver tudo isso da janela de casa. É uma sensação ambígua”, concluiu.