Sábado, 14 de Março de 2026
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Primeiro estágio ainda é uma realidade para poucos estudantes no país

Considerando todos os níveis aptos a estagiar, apenas 5,48% dos estudantes brasileiros vivenciam essa experiência formal.

Por: Redação Acontece no RS
02/03/2026 às 10h31
Primeiro estágio ainda é uma realidade para poucos estudantes no país
Estágio no Brasil ainda é privilégio para poucos estudantes - Crédito: FreePik

Para muitos jovens, o primeiro estágio marca o início concreto da trajetória profissional. Além de aplicar conhecimentos na prática, a experiência permite vivenciar rotinas de diferentes áreas, testar afinidades e ampliar as possibilidades de escolha. O problema é que, apesar da importância reconhecida, o acesso ainda é restrito no país.

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Dados de uma pesquisa feita pela Associação Brasileira de Estágios (Abres) em 2025 indicam que, dos mais de 10 milhões de estudantes matriculados no Ensino Médio e Técnico, cerca de 264 mil estão estagiando, o equivalente a aproximadamente 2,6%. No Ensino Superior, entre quase 10 milhões de alunos, cerca de 836 mil realizam estágio, o que representa 8,4% do total. Considerando todos os níveis aptos a estagiar, apenas 5,48% dos estudantes brasileiros vivenciam essa experiência formal.

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Para a supervisora de Estágios da Fundatec, Julia Schneider Achutti, o impacto da primeira oportunidade é direto na formação e na tomada de decisão profissional: "O primeiro estágio costuma ser o momento em que o estudante percebe, na prática, como as áreas funcionam e quais caminhos fazem mais sentido para o seu perfil. Esse contato com a rotina e com diferentes demandas contribui muito para as escolhas futuras."

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Além do desenvolvimento técnico, o estágio contribui para competências como comunicação, organização, responsabilidade e postura profissional. Ao longo do contrato, segundo Julia, a evolução costuma ser perceptível. "É muito comum perceber mais segurança e maturidade na execução das tarefas, evolução na comunicação e mais autonomia e responsabilidade", explica.

Na prática, essa trajetória pode se transformar em efetivação. Entre acompanhamentos realizados pela Fundatec, há casos de estudantes contratados antes mesmo do término do contrato. Em um deles, o estagiário foi efetivado em menos de seis meses após se destacar nas rotinas e no desempenho. Em outro, ao apoiar uma equipe em alta demanda, chamou atenção pela organização e adaptabilidade e foi escolhido quando surgiu uma vaga efetiva.

"O estágio frequentemente se torna uma porta de entrada para oportunidades futuras, inclusive com efetivação na própria instituição concedente, além da experiência e da rede de contatos construída ao longo do caminho", destaca Julia. 

Em um cenário em que menos de 6% dos estudantes aptos têm acesso ao estágio, a primeira oportunidade pode ter impacto decisivo, tanto na construção de experiência quanto no direcionamento de carreira.