
As três guaritas com maior número de resgates de veranistas neste verão estão concentradas em Torres e Tramandaí, no Litoral Norte. Os dados são da 9ª edição da Operação Verão 2025/2026, do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS).
Conforme o coordenador da operação, major Jocemarlon Acunha Pereira, a guarita 11, na Praia da Guarita, em Torres, lidera o ranking, com 59 salvamentos desde o início da temporada. Em segundo lugar aparece a guarita 157, no antigo Terminal Turístico de Nova Tramandaí, com 22 ocorrências. Na sequência, a guarita 8, na Prainha, também em Torres, soma 17 resgates.
Segundo o oficial, as características físicas que embelezam a Praia da Guarita, também explicam o alto número de salvamentos em Torres. “Isso ocorre pela condição geográfica mesmo. O resto do nosso litoral é formado por uma faixa de areia contínua. Na Guarita tem um monte de pedra que vai mar adentro. Isso faz com que toda a água que entra volte por um único local”, afirmou.
De acordo com o major, a formação rochosa cria um canal profundo junto às pedras, onde se estabelece uma corrente de retorno permanente. “Na Praia da Guarita é o lugar que a gente tem no Rio Grande do Sul com a corrente de retorno mais larga possível. É um lugar em que sempre vai ter corrente de retorno”, explicou.
Ele detalha que, diferente de outros pontos do litoral, onde a corrente costuma empurrar o banhista e depois se deslocar lateralmente, em Torres ela tende a arrastar mar adentro. “Ali ela vai indo ao alto-mar por conta da formação geológica no fundo de pedras”, disse.
Na Prainha, terceira no ranking, a presença de pedras no fundo também favorece a formação de correntes quase imperceptíveis na superfície. “Ela forma uma corrente de retorno praticamente invisível por cima da água, mas muito peculiar pela característica do fundo”, relatou.
Por conta dessas condições, o Corpo de Bombeiros evita rotatividade nas guaritas de Torres, priorizando guarda-vidas com conhecimento específico da área. “A gente procura não colocar gente nova ali. O comportamento do mar é diferente. Se não souber tirar a pessoa, pode ir mar adentro junto”, ressaltou.
Já em Nova Tramandaí, o fator determinante é outro. A guarita 157, no antigo Terminal Turístico, concentra grande número de excursões e veranistas que se deslocam em grupos. “É uma superpopulação naquele ponto. Não é uma característica geográfica, é concentração de pessoas mesmo que faz termos esse resultado”, afirmou o major.
Segundo ele, independentemente das condições do mar, excursões mantêm a programação, o que aumenta o risco. Nos dias de maior movimento, o Corpo de Bombeiros reforça o efetivo na área, deslocando guarda-vidas de outras guaritas e suspendendo atividades administrativas para ampliar a prevenção no local.
Apesar do volume de ocorrências, o major destacou que não houve óbitos em frente a guaritas ativas durante a temporada. Até o fechamento da última semana, a Operação Verão contabilizava 808 salvamentos em todo o Estado, sendo 715 no Litoral Norte, e 489 mil ações preventivas, como orientações e retiradas de banhistas de áreas de risco.
“Tivemos seis óbitos no mar. Desses, cinco foram em locais onde não existe guarita. Nenhum em frente a posto ativo”, afirmou.
Conforme o coordenador, muitos casos ocorrem em trechos intermediários, distantes dos postos de salvamento. “As pessoas vão se banhar onde não tem posto de guarda-vidas e não querem caminhar alguns minutos até uma área monitorada”, lamentou.