Sábado, 14 de Março de 2026
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Calçada de hotel desativado em Porto Alegre vira moradia improvisada, enquanto prédio aguarda novo destino

Projeto de transformação do edifício em residencial já foi aprovado, mas proprietários ainda arrecadam recursos para obras. Ociosidade do espaço preocupa moradores e comerciantes.

Por: Redação Acontece no RS Fonte: Gaúcha ZH
10/02/2026 às 14h50
Calçada de hotel desativado em Porto Alegre vira moradia improvisada, enquanto prédio aguarda novo destino
Prédio fica na esquina da Loureiro da Silva com a Lima e Silva. Beatriz Coan / Agencia RBS

Uma esquina de localização privilegiada na região central de Porto Alegre chama atenção pela sua ociosidade e intriga tanto moradores quanto comerciantes do entorno. Há quase seis anos, o prédio de um antigo hotel no encontro da Avenida Loureiro da Silva com a Rua General Lima e Silva está desocupado.

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A empresa responsável pelo imóvel afirma ter projetos para o futuro do prédio. Enquanto os planos não saem do papel, pequenas mudanças têm sido feitas no espaço, a fim de contornar a consequência de tanto tempo em desuso.

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Sem hóspedes no lado de dentro, o edifício possui uma calçada larga com uma grande marquise, atraindo pessoas em situação de rua que procuram abrigo da chuva, do frio e do calor.

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— De dia, não tem problema nenhum. Mas, de noite, a gente vê que tem pessoas desabrigadas. Eu procuro não passar por aqui, por segurança. Mas eu vejo os dois lados, tanto o do prédio quanto o dos desabrigados. Aqui a gente tem um símbolo dessa tensão entre a iniciativa privada e as questões sociais, a improvisação de moradia — relata a fonoaudióloga Renelle Millette, 46 anos, que mora nas proximidades do prédio.

Ranelle acompanhou a tentativa frustrada de colocarem grades para dificultar o acesso das pessoas em situação de rua — mas que também bloqueavam a circulação dos pedestres na calçada e precisaram ser retiradas — e agora a recente colocação de tijolos nos recuos que eram utilizados pelos desabrigados.

Antes desse cenário de aparente abandono, a construção de 13 andares funcionava como uma unidade da rede Master Hotéis. A empresa não confirmou quando as atividades chegaram ao fim no local, mas as últimas menções públicas do empreendimento informavam que, devido à pandemia do coronavírus, a agenda de reservas seria fechada a partir do dia 25 de março de 2020.

Apesar da liberação das atividades e da retomada do setor hoteleiro depois da covid-19, os grupos Astir e Isdra, que são proprietários da rede Master e do prédio em questão, optaram por não reabrir o empreendimento.

— Nosso grupo é de capital fechado. Nós temos uma rede hoteleira e, praticamente duas quadras dali, temos um outro hotel que funciona plenamente. A pandemia nos atingiu, atingiu todas as redes hoteleiras, e desde então não se justificava ter um hotel funcionando naquele âmbito, mudou muito o comportamento do público — explicou o diretor da Astir, Carlos Paulo Fortuna.

Um novo futuro

No limite entre o Centro Histórico e a Cidade Baixa, a edificação é vizinha de supermercados, farmácias, restaurantes, escolas, hospital e universidade. Com tanto atrativo no entorno, o objetivo da incorporadora é transformar o antigo hotel em um prédio residencial.

A ideia existe pelo menos desde outubro de 2023, quando uma análise de projeto arquitetônico foi solicitada junto à Secretaria do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade de Porto Alegre (Smamus). De acordo com os registros públicos, o trâmite foi encerrado e aprovado em fevereiro de 2025, quando foi paga a última taxa necessária.

Os dados disponibilizados também revelam que o projeto prevê a criação de 144 unidades habitacionais e que, em média, cada uma deve ter 38 metros quadrados. De acordo com Fortuna, a ideia é transformar o edifício em um residencial moderno com studios.

Beatriz Coan / Agencia RBS
Prédio de 13 andares deve receber 144 studios.Beatriz Coan / Agencia RBS

Apesar da aprovação da prefeitura, ainda não há previsão de quando a obra deve iniciar no local. O diretor explica que o projeto está em fase de arrecadação de recursos e que é preciso um mercado favorável para lançar o empreendimento. A expectativa é que a mudança aconteça em curto ou médio prazo, entre 2026 e 2027.

— Ainda vamos levar o tempo para fazer todos os trâmites para a elaboração do funding, como pesquisa de mercado. E estamos aguardando um momento oportuno no mercado imobiliário, que hoje não está respondendo muito bem à Selic. As taxas estão muito altas, então isso vai muito da nossa sensibilidade de fazer esse lançamento no momento certo. Mas a reformulação está aprovada e, de certa forma, vai valorizar bastante a região — contextualiza Fortuna.

Impacto na região

O fim das atividades da rede Master no endereço atingiu tanto a segurança dos moradores quanto o movimento no comércio vizinho. O empresário Neuri Ângelo Zambiasi, 62 anos, que possui há 33 anos um restaurante na outra esquina, comentou que, desde o fechamento do hotel, o movimento caiu.

— Para nós, foi ruim porque era muito cliente que vinha, principalmente, quando lotava por causa da Expointer, da Semana Farroupilha. Dava muita gente aí. O impacto para nós, não vou dizer bastante, mas foi muito — relata Zambiasi.