
O município de Selbach, no Noroeste gaúcho, registrou a morte de dez cães em uma semana, todos apresentando sinais compatíveis com possível intoxicação. Os casos ocorreram em sequência e concentram-se na mesma região da cidade, o que levantou a suspeita de envenenamento e mobilizou protetores de animais, moradores e autoridades policiais.
A situação ganhou visibilidade na quarta-feira da semana passada, quando moradores começaram a divulgar nas redes sociais o desaparecimento da cadela Mila, um animal comunitário conhecido na região. "Quando fomos atrás da Mila, percebemos que não era um caso isolado. Outras pessoas começaram a relatar cães desaparecidos na mesma área", conta Mirian Maldaner, da ONG Cão Viver Selbach.
No dia seguinte, a Secretaria de Obras recolheu três cães já mortos. Segundo Mirian, os animais apresentavam salivação excessiva e outros sinais clínicos sugestivos de intoxicação. "Esses animais foram encontrados em pontos próximos entre si. Uma das cadelas foi reconhecida como sendo a Maria, que também constava entre as desaparecidas", relata.
Os casos se acumularam nos dias seguintes. Um gato foi encontrado morto, outros desapareceram, e a ONG recebeu denúncia sobre a desova de um cão no interior do município, encontrado enterrado dentro de um saco plástico. Outro animal foi localizado ainda com vida, mas não resistiu mesmo após atendimento veterinário — único caso com laudo apontando sinais clínicos compatíveis com intoxicação, embora sem confirmação laboratorial da substância.
A Polícia Civil abriu investigação e a Brigada Militar acompanha a situação. Mirian ressalta que, apesar dos indícios, não há provas conclusivas.
"A gente precisa ser muito responsável. São possíveis casos de envenenamento. O que temos são sinais clínicos e muitos casos concentrados em pouco tempo", afirma.
O clima entre moradores e protetores é de insegurança. "É muito triste não conseguir dar uma resposta e não saber se isso vai parar. A gente acorda pensando se vai acontecer mais um caso naquele dia", desabafa Mirian. A ONG Cão Viver Selbach pede que qualquer informação seja repassada à Brigada Militar, Polícia Civil ou diretamente à organização.