
A execução do manifestante foi marcada após um julgamento descrito como "rápido e obscuro" por organizações de direitos humanos. A informação foi divulgada pela ONG curdo-iraniana Hengaw para os Direitos Humanos, que afirma que a família do jovem só foi informada da sentença dias depois da prisão e que as autoridades disseram que a decisão é definitiva.
Segundo os familiares, Soltani não teve acesso a advogado e nem a informações sobre as acusações formais. A família afirma que foi autorizada a visitá-lo apenas uma vez, por cerca de dez minutos, sem receber detalhes sobre o processo judicial ou os procedimentos adotados.
O anúncio da execução de Soltani elevou o caso a um símbolo da repressão aos protestos. Entidades afirmam que se trata da primeira execução oficialmente anunciada de um manifestante desde o início da atual onda de mobilizações, o que ampliou a atenção internacional.
Grupos de direitos humanos alertam para o uso da pena de morte como instrumento de intimidação. Segundo essas organizações, o tratamento acelerado e pouco transparente do processo reforça o temor de que a punição extrema seja usada para conter a continuidade das manifestações.
Os protestos no Irã começaram no fim de dezembro e se intensificaram diante da crise econômica e da repressão estatal. Comerciantes e moradores foram às ruas contra a inflação, o aumento de preços e a desvalorização do rial.
A crise também provocou reações externas, especialmente dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump usou as redes sociais para incentivar a continuidade dos protestos.