
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a comentar sobre as recentes tensões comerciais com os Estados Unidos. Lula declarou que está aberto ao diálogo com o presidente Donald Trump, ressaltando que o “Lulinha paz e amor” estará pronto para conversar sempre que houver disposição do governo norte-americano.
Segundo o chefe do Executivo brasileiro, o problema não está na falta de interesse do Brasil, mas na ausência de vontade política dos Estados Unidos em negociar. “Temos três ministros de peso preparados para tratar desse assunto — Geraldo Alckmin, Fernando Haddad e Mauro Vieira —, mas não há retorno do lado de lá”, disse Lula, acrescentando que Trump “se comporta como dono do planeta” e espera obediência dos demais países.
Lula frisou que aprendeu a “andar de cabeça erguida” e que não se submeterá a pressões externas. Ele ainda criticou a falta de contato oficial do presidente americano e rebateu declarações recentes do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que, segundo o petista, desconhece a realidade das relações comerciais.
O presidente destacou também a mudança no peso dos Estados Unidos nas exportações brasileiras. “No início do século, os americanos representavam 20% das vendas externas do Brasil. Hoje, esse índice caiu para 12%, e apenas uma pequena parte desses produtos foi afetada pelas novas tarifas”, observou.
Em contrapartida, Lula lembrou que a parceria com a China se consolidou como principal eixo comercial do país. Atualmente, o comércio bilateral com os chineses movimenta cerca de US$ 160 bilhões por ano, o dobro do registrado com os Estados Unidos, que somam em torno de US$ 80 bilhões. Enquanto com Pequim o Brasil mantém superávit superior a US$ 30 bilhões, a balança com Washington acumula déficit de aproximadamente US$ 410 milhões nos últimos 15 anos.