Quinta, 30 de Julho de 2026
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Indústria moveleira da Serra Gaúcha paralisa exportações aos EUA após imposição de tarifa

Exportações de móveis da Serra Gaúcha aos EUA são suspensas após tarifa de 50%; setor avalia impactos econômicos e busca alternativas.

Por: Lucas
15/08/2025 às 17h28
Indústria moveleira da Serra Gaúcha paralisa exportações aos EUA após imposição de tarifa

As exportações de móveis da Serra Gaúcha para os Estados Unidos foram interrompidas após o anúncio da imposição de tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros.

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A medida, implementada pelo governo norte-americano, causou apreensão imediata entre empresários da região, especialmente nos municípios de Bento Gonçalves e Garibaldi, conhecidos por concentrarem grande parte do polo moveleiro do Rio Grande do Sul.

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Empresas suspendem embarques e relatam incertezas

Em Bento Gonçalves, uma das principais cidades exportadoras do setor, uma fábrica local informou que 40% de seus produtos eram enviados regularmente aos Estados Unidos, mas os embarques estão paralisados desde a semana passada.

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A mudança tarifária pegou os empresários de surpresa, comprometendo negociações já em andamento e criando um cenário de indefinição sobre o futuro da produção.

Matheus Scotton, empresário do setor, relata que projetos importantes foram impactados. “Temos algumas encomendas em mar que vão sofrer com essa tarifa. Infelizmente, a gente não sabe o que vai fazer porque o custo é muito elevado e não temos norte ainda”, afirmou.

Efeito cascata no setor e suspensão de contratos

Além de afetar diretamente os embarques com destino aos EUA, a nova tarifa também causou paralisação de negociações com outros mercados. Uma empresa da região que exporta para Porto Rico revelou que o impacto foi imediato. Segundo o empresário Euclides Longhi, vários contêineres prontos para envio foram suspensos por seus clientes internacionais.

“Temos grandes negociações que agora acabaram parando. Nosso cliente já mandou segurar tudo. Isso preocupa, porque é um efeito cascata. Vai respingar em todo o setor moveleiro”, destacou Longhi.

Ele também expressou preocupação com a possibilidade de retração em outros países que enfrentam dificuldades similares.

Participação norte-americana no mercado gaúcho é significativa

De acordo com dados do Sindmóveis, sindicato que representa o setor, os Estados Unidos respondem por aproximadamente 17% das exportações do polo moveleiro da região desde o início de 2025, representando um faturamento de cerca de 4,5 milhões de dólares.

Para Cleberton Ferri, diretor internacional da entidade, a dependência do mercado norte-americano é preocupante. “Os Estados Unidos hoje são o maior mercado de exportação do polo moveleiro de Bento Gonçalves. O setor é muito representativo, e essas medidas podem afetar os empregos das pessoas que trabalham diretamente nele”, afirmou.

Busca por alternativas e adaptação à nova realidade

Diante do novo cenário, empresários avaliam estratégias para minimizar os prejuízos e buscar mercados alternativos. “Com os Estados Unidos se fechando, todos os fabricantes do mundo estão buscando outros mercados. Isso começa a colidir em alguns lugares, o que será desafiador para a indústria como um todo”, complementou Scotton.

Além da preocupação com a suspensão das exportações, há também o receio de que a retração no setor afete a manutenção de postos de trabalho e o ritmo da economia regional.

Nesse contexto, muitas empresas têm acompanhado atentamente notícias em portal e informes de entidades do setor para avaliar possibilidades de redirecionamento de produção ou até mesmo reformulação de estratégias comerciais.

Não apenas o setor moveleiro está sentindo os efeitos da nova tarifa. Em Garibaldi, empresas do ramo metalmecânico, que também mantinham operações de exportação para os Estados Unidos, relatam queda imediata na demanda. Juarez Piva, empresário da área, afirmou que entre 10% e 15% da produção mensal da companhia era enviada ao país norte-americano.

“É extremamente preocupante. Fizemos investimentos para entender esse mercado exigente. Se a produção cair, isso pode gerar demissões ou aumento da inflação no Brasil”, pontuou Piva.

FIERGS questiona medidas dos EUA e defende diálogo

A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS) também se manifestou sobre o caso. Em nota oficial, declarou que “não há fato econômico que justifique a elevação das tarifas” e defendeu que o impasse seja resolvido por meio de mediação e negociação diplomática entre os países envolvidos.

A entidade reforçou ainda que o setor industrial do estado está em alerta diante do risco de desestabilização das cadeias produtivas e perda de competitividade internacional.

Impactos sociais e econômicos ainda são incertos

A médio prazo, a preocupação recai sobre os possíveis efeitos da nova política tarifária no emprego e na economia da região. Considerando a importância do setor moveleiro para cidades como Bento Gonçalves e Garibaldi, qualquer retração nas exportações pode ter consequências significativas no nível de renda e na atividade econômica local.

Enquanto não há sinalização de recuo por parte do governo norte-americano, empresários e entidades sindicais intensificam o monitoramento do cenário internacional e analisam medidas para preservar os negócios e minimizar os impactos sobre trabalhadores e fornecedores da cadeia.