Quarta, 29 de Julho de 2026
Publicidade

Nova internet de alta velocidade leva inclusão às escolas indígenas do Paraná

Ao todo, 18 escolas indígenas de diferentes regiões do Estado foram beneficiadas com a instalação de rede de internet Starlink em 2025. Iniciativa...

Por: Redação Acontece no RS Fonte: Secom Paraná
16/07/2025 às 16h59
Nova internet de alta velocidade leva inclusão às escolas indígenas do Paraná
Foto: SEED-PR

Inclusão e conectividade são os pilares de um projeto da Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR) que assegurou a implantação de internet de alta velocidade em escolas indígenas do Paraná. Ao fim do primeiro semestre letivo de 2025, estudantes e professores afirmam ter notado os impactos positivos da novidade.

Continua após a publicidade

A Escola Estadual Indígena, em Pontal do Paraná, no Litoral, foi uma das contempladas pela iniciativa. A instalação de banda larga Starlink de 200 megabits por segundo (Mbps), concluída no início do ano, já promoveu mudanças significativas na rotina escolar.

Continua após a publicidade

“Com essa melhoria, podemos aproveitar melhor os recursos tecnológicos, tanto nos processos de ensino e aprendizagem quanto na gestão pedagógica. Isso representou um grande avanço para nossos estudantes indígenas, proporcionando a eles os mesmos recursos que os alunos da cidade têm”, destaca Rejane de Oliveira, diretora da escola, que atende 17 estudantes desde a Educação Infantil até os anos finais do Ensino Fundamental.

Continua após a publicidade

No Colégio Estadual Indígena Pindoty, em Paranaguá, que atende 22 estudantes indígenas, o impacto também foi perceptível. Ativada no início de maio, a rede de internet Starlink já trouxe benefícios para os alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio.

“Estamos muito felizes com a instalação da internet Starlink. É uma ferramenta a mais para auxiliar o trabalho dos professores e o processo de aprendizagem com os alunos”, relata a diretora, Taciana Bogo. “Por meio da internet, os alunos podem interagir com o mundo virtual e desenvolver conhecimentos para além da sala de aula”.

Ao todo, 18 escolas indígenas de diferentes regiões do Paraná foram beneficiadas com a instalação de rede de internet Starlink em 2025. A iniciativa integra um projeto da Seed-PR que garantiu conectividade de alta velocidade via satélite a 150 escolas estaduais situadas em regiões afastadas, incluindo também colégios do campo e escolas localizadas em ilhas e assentamentos rurais. O investimento do Governo do Estado, por meio da Seed-PR, foi de R$ 18 milhões.

“A ampliação da conectividade é fundamental para fortalecer a educação em escolas indígenas, do campo e em outras regiões afastadas. Dessa forma, garantimos que todos os estudantes da rede estadual, independentemente de onde estejam, tenham acesso ao que há de mais avançado em tecnologia educacional”, afirma o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda.

A solução foi planejada para garantir estabilidade e alta disponibilidade de conexão no acesso a recursos educacionais digitais ofertados pela Seed-PR, como o aplicativo Enem Paraná, e as ferramentas de Inteligência Artificial (IA) Khanmigo e Inglês Paraná Teens. Mais de 11 mil estudantes foram diretamente impactados pela iniciativa, que ainda otimizou a realização de pesquisas pedagógicas e de atividades administrativas nos colégios.

“É uma ação que beneficia estudantes, professores, funcionários e toda uma comunidade escolar que enxerga, na escola, a oportunidade de se conectar ao mundo lá fora. Já temos colhido os bons resultados deste investimento”, completa o secretário.

JANELA PARA O MUNDO– Nelson Veríssimo, professor de Língua Guarani na Escola Estadual Indígena Guavirá Poty, usa a internet para conduzir os alunos a uma viagem virtual pela cultura indígena. Por meio de sites e ferramentas de busca, o docente apresenta à turma imagens de outras aldeias e comunidades indígenas pelo Brasil. O objetivo é discutir e compreender diferenças e semelhanças entre os variados grupos étnicos que compõem a população brasileira.

Segundo o docente, a ampliação da conectividade beneficiou muito a realização da atividade. “Quando cheguei na escola, até tinha internet, mas não era das melhores. Quando chovia, parava de funcionar e caía o sinal. A internet Starlink nos beneficiou muito e facilitou meu trabalho como educador. Precisamos desse acesso para fazer pesquisas, visitar outras aldeias e até outros estados”, comenta.

Inserida na comunidade Guaviraty, próxima ao balneário Shangri-lá, em Pontal do Paraná, a escola atende crianças e jovens majoritariamente da etnia Guarani.

Maucon Gonçalves, de 14 anos, é um deles. Conforme o jovem, que cursa o 8º ano do Ensino Fundamental, a melhoria na conexão impactou os estudos de diferentes componentes curriculares.

“Facilitou para fazer pesquisas sobre Ciências, Geografia, História e Educação Física, e acessar Khan Academy, Redação, Inglês e Leia Paraná”, conta. “Isso é muito importante, pois as escolas dos povos indígenas são fundamentais para garantir a educação dos povos originários sem descaracterizar as suas tradições”.

A realidade é a mesma na Ilha da Cotinga, em Paranaguá, onde está situado o Colégio Estadual Indígena Pindoty. Por lá, estudantes de diferentes séries elevaram seus índices de participação em aulas de informática e nos recursos educacionais digitais. Mais do que isso, a escola se tornou o local ideal para acessar a internet e conhecer o mundo ao redor.

“A internet Starlink melhorou muito nosso dia a dia na escola. Antes, não era tão fácil fazer trabalhos e pesquisas. Agora, não fica caindo toda hora e é mais rápido para acessar as plataformas”, diz Aniela Moreira, da 2° Série do Ensino Médio.

“Nós dificilmente saímos da aldeia. Então, precisamos da internet para saber como é a vida lá fora e também trazer conhecimento da cidade. Por isso, a escola é importante”, opina Bruno Fernandes, também aluno da 2ª série do Ensino Médio.

Além do impacto em sala de aula, a instalação de banda larga de alta velocidade nas escolas indígenas também beneficiou diretamente a gestão escolar e a realização de serviços administrativos nas secretarias das escolas. A melhoria na conectividade somou-se a outros investimentos realizados no início do ano, como a substituição de salas de madeira, a entrega de chromebooks e a instalação de aparelhos de ar-condicionado em diversas escolas.

“Me sinto feliz e grata por fazer parte de uma educação inclusiva, com infraestrutura e de qualidade para os nossos estudantes”, resume Rejane de Oliveira, diretora da escola Estadual Indígena Guavirá Poty, em Pontal do Paraná.

EDUCAÇÃO INDÍGENA– A rede estadual de ensino do Paraná conta com 40 escolas indígenas que atendem cerca de 5,5 mil estudantes das etnias Kaingang, Guarani, Xokleng e Xetá. As instituições de ensino têm normas, pedagogia e funcionamento próprios, respeitando a especificidade étnico-cultural de cada comunidade. Os estudantes têm direito a ensino intercultural e bilíngue – com aulas da língua indígena e de língua portuguesa – desde o início da jornada escolar.

“A escola é importante para aprender o que não sabemos e entender mais sobre o que está acontecendo pelo mundo. O aluno ensina o professor e o professor ensina o aluno”, opina Diogo Romero, estudante indígena do 7° ano do Ensino Fundamental no Colégio Pindoty.

O Novo Ensino Médio no Paraná, estabelecido em 2022, também prevê componentes curriculares específicos para a matriz curricular dos colégios indígenas. Além daqueles previstos pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), os estudantes indígenas cursam Projeto de Vida e Bem Viver, Informática Básica e Robótica e Laboratório de Escrita e Produção Audiovisual. Ainda foram incluídos à grade curricular componentes como filosofia indígena e cultura corporal indígena.

Além da manutenção das escolas indígenas, a Seed-PR promove a inserção de conteúdos e práticas pedagógicas que celebram a valorização da cultura indígena em todas as escolas da rede estadual. Por meio do trabalho de equipes multidisciplinares, a secretaria implementou a Lei 11.645, de 10 de março de 2018, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura indígenas em todos os níveis da educação básica.