Quarta, 29 de Julho de 2026
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“Estou de sonda, fralda, me tiraram o direito de ir e vir”: Moradora que teve bexiga perfurada pede cirurgia reparadora

Moradora de Dois Irmãos teve intercorrência cirúrgica durante retirada do útero; diretor do Hospital São José diz que “infelizmente, é uma complicação comum em pacientes que realizam esse tipo de cirurgia”.

Por: Fonte: Jornal NH
19/03/2025 às 20h40
“Estou de sonda, fralda, me tiraram o direito de ir e vir”: Moradora que teve bexiga perfurada pede cirurgia reparadora
Foto: PMDI

Desde que realizou uma cirurgia para retirada do útero no Hospital São José, em agosto de 2024, a moradora de Dois Irmãos, Lucia Müller Müeller, 51 anos, sofre consequências físicas e emocionais causadas por uma intercorrência cirúrgica. Durante o procedimento, ela teve a bexiga perfurada, e atualmente precisa utilizar sonda, fraldas e está impedida de trabalhar.

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A situação prejudica Lucia, que está com perda urinária desde agosto, mas a perfuração da bexiga só foi constatada em dezembro. “Estou sofrendo desde o dia da cirurgia com essas consequências que me causaram dentro do hospital”, afirma.

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Ela relata que a prefeitura de Dois Irmãos havia se comprometido em providenciar uma cirurgia reparadora, que estaria agendada para a semana passada. No entanto, dois dias antes, recebeu a informação de que a cirurgia teria sido cancelada por “não haver motivos”. “Eles prometeram que fariam a cirurgia no Hospital Sapiranga às 15 horas do dia 14 de março. Dois dias antes, as autoridades de Dois Irmãos se negaram a fazer essa cirurgia”, denuncia Lucia.

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A moradora expõe ainda que, desde o procedimento, não consegue sair de casa para trabalhar. “Estou usando sonda, de fralda, me tiraram o direito de ir e vir para o meu trabalho, correndo risco até de perder o emprego. E ainda acham que não tem motivo para fazer essa cirurgia?” questiona Lucia.

De acordo com o diretor do Hospital São José, o médico Thiago Serafim, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) cogitou auxiliar na realização do procedimento cirúrgico de reparação à paciente. “No entanto, após criteriosa avaliação técnica e jurídica, [a SMS] optou por manter o encaminhamento do caso junto à rede SUS. O atual secretário de Saúde, Nilton Tavares, me afirmou ainda na data de ontem que a paciente está recebendo todo o auxílio necessário para o andamento do caso”, explica.

Sobre o procedimento cirúrgico, Serafim esclarece que a “paciente foi submetida a uma histerectomia [retirada do útero] no hospital e, devido à complexidade do procedimento, houve uma intercorrência tardia, que, infelizmente, é uma complicação comum em pacientes que realizam esse tipo de cirurgia”, afirma.

O diretor do Hospital ressalta ainda que “nenhum procedimento cirúrgico é isento de riscos”. “Todos os possíveis eventos adversos foram devidamente explicados à paciente e estão claramente descritos no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido [TCLE], documento que foi assinado pela paciente, garantindo sua ciência sobre os riscos envolvidos na cirurgia”, garante Serafim.

Ele reforça ainda que “em nenhum momento, houve negativa de atendimento ou negligência no caso”. Segundo Serafim, a paciente está cadastrada no Gercon, central estadual responsável por regular o acesso a hospitais de alta complexidade, “e aguarda consulta em um hospital terciário com equipe de urologia especializada, conforme as diretrizes de encaminhamento do SUS”.

Em nota enviada à reportagem, o hospital afirma que “lamenta profundamente o ocorrido, e que todas as medidas necessárias foram adotadas para garantir que a paciente receba atendimento em uma unidade de saúde com capacidade técnica para tratar a intercorrência”.

No entanto, a direção informa que “por questões legais, incluindo o sigilo médico e as diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), não podemos fornecer mais detalhes sobre o caso, que já se encontra judicializado pela própria paciente”.