Sábado, 08 de Agosto de 2026
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EMPRESÁRIO LEMBRA GRANDES ASTROS DA MÚSICA QUE ESTIVERAM EM FEIRA

Contabilista, radialista, empresário musical e, sobretudo, um aficionado pelo mundo das comunicações, Cosme Alves utiliza sua polivalência para exp...

Por: Redação Acontece no RS Fonte: Prefeitura de Feira de Santana - BA
19/02/2025 às 16h55

Contabilista, radialista, empresário musical e, sobretudo, um aficionado pelo mundo das comunicações, Cosme Alves utiliza sua polivalência para expandir seus conhecimentos, reunindo muitos amigos no universo da música. Saudoso, ele relembra os famosos artistas que passaram por Feira de Santana e destaca que o cenário atual é bem diferente. Para ele, mudanças inevitáveis ocorreram, colocando em questão a qualidade da composição brasileira, que, em sua opinião, está em declínio.

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“Tudo mudou nos últimos anos, e hoje, com as redes sociais, o agendamento de shows de artistas tem um formato bem mais simples e rápido. Além disso, o mercado musical está se renovando constantemente. Eu acredito que antes havia mais campo de trabalho para os empresários”, afirma Cosme Alves (Cosme de Jesus Alves), comunicador feirense e empresário do segmento musical, atividades que desenvolve paralelamente ao seu trabalho no escritório de contabilidade.

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Embora atualmente mais voltado para a contabilidade, ele ainda mantém fortes laços de amizade com artistas que gerenciou e outros que conheceu como discotecário. Ele cita nomes como Wanderley Cardoso, Jerry Adriane, famosos na época da Jovem Guarda, Fernando Mendes, Nelson Gonçalves, Marcos Roberto, Nilton César, José Augusto, Marcio Grayck, Nelson Ned, Elias Muniz, Aderbal Sena, Diana, Waldick Soriano, Tracis Andrade, Lindomar Castilho, Assis Cavalcante, José Ribeiro, Agnaldo Timóteo, Bartô Galeno, entre outros. Lamenta que alguns desses artistas de grande público, como Jerry Adriane, Agnaldo Timóteo e Reginaldo Rossi, já não estejam mais entre nós: “Não eram só grandes artistas, também eram grandes amigos”, recorda-se.

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Como empresário, Cosme Alves teve bons momentos e também algumas experiências não tão positivas, como a vinda do cantor romântico (ou brega, para alguns) José Ribeiro, que estava em um grande sucesso com a música “A Beleza da Rosa” e outras, para duas apresentações, uma em Feira de Santana e outra em uma cidade da região sisaleira, há cerca de 20 anos. “Enviei todo o material publicitário necessário, mas o responsável não fez uma única divulgação. Quando chegamos ao local, ninguém sabia que o cantor iria se apresentar. Mesmo com a venda de alguns ingressos, devolvi o valor e assumi os prejuízos. Vendi um bom terreno aqui em Feira de Santana, um baita prejuízo, mas paguei tudo”, destaca, isentando o artista de qualquer culpa. “Continuamos amigos até o falecimento dele.”

Para Cosme Alves, o melhor de tudo na vida de um empresário são as amizades. Ele destaca o cantor Wanderley Cardoso como extremamente educado e atencioso. “Ele liga sempre para mim, assim como a filha dele, que é responsável pela agenda de shows dele. Na semana passada, ela me ligou, mostrando a gravação no celular. O artista, que ficou famoso com hits como 'Doce de Coco', 'Piquenique' e 'O Mais Puro Amor', entre outros, continua realizando apresentações, ultimamente no Paraná e interior de São Paulo.”

Segundo o empresário musical, as mudanças no cenário musical foram rápidas e profundas. “As gravadoras desapareceram, assim como os LPs e, mais recentemente, os CDs. Hoje, tudo acontece nas redes sociais. Os clubes sociais também acabaram, como o Feira Tênis Clube e o Clube de Campo Cajueiro. É difícil promover shows de artistas, salvo em épocas como o Carnaval, Micareta, São João ou aniversários de cidade, mas existe uma concorrência muito grande.” Cosme Alves ainda lembra que, quando estava em plena atividade, sempre procurou incluir artistas feirenses em sua agenda. “Feira de Santana tem excelentes talentos como Djalma Ferreira, a irmã dele Dilma Ferreira, e eu sempre procurei incluí-los nas programações daquela época. Os artistas de Feira precisam ser mais incentivados e mostrados ao público.”

Comunicador desde 1986, Cosme Alves começou na Rádio São Gonçalo, passando pela Cultura de Feira, Regional, Difusora de Serrinha, Jacuípe de Riachão do Jacuípe, Carioca (atual Povo), Sociedade de Feira, Cruzeiro de Salvador, Mix Baiano de Conceição do Jacuípe. Atualmente, está na Sociedade de Feira, aos sábados, no programa Canal Interativo, de Roberto Rubens. Mas ele não é apenas um radialista, é um aficionado por tudo que envolve o rádio. Em sua residência, possui dezenas de receptores, cerca de sete mil discos (LPs e CDs), fitas e mais de 20 equipamentos de som.

Cosme Alves tem coleções inteiras de alguns artistas, como Wanderley Cardoso: “Tenho todos os discos dele autografados.” Sem ser fanático, ele é extremamente dedicado ao meio da comunicação. Para ele, o grande problema atual da música é a qualidade das letras: “Sem sentimento, expressam mais o momento vivido por alguns, falando sobre bebida, diversão e relações de maneira vulgar, sem o amor que é o essencial na vida.”

Ele reconhece que há muitos compositores bons em todos os gêneros musicais, mas “parece que esses são preteridos, porque, para fazer sucesso, o que é pior é o mais destacado. E isso talvez seja devido à extinção das gravadoras, que tinham critério na hora de contratar um cantor e produzir um disco.” Como admirador e colecionador, Cosme lamenta a extinção das gravações físicas, como os antigos LPs, com belas capas, fichas técnicas dos músicos e dados biográficos do artista. “Hoje, nada mais existe. Perdeu o encantamento. Não podemos mais dispor desse material.”

Concluindo, ele deixa claro: “Música para mim é como um sonho, e como sonho, tem de ser algo bom, agradável, que faça bem a quem ouvir. Tenho muita coisa em minha discoteca, são mais de seis mil discos, quase sete mil, mas, na hora de ouvir, seleciono o melhor!”.