Formado em Economia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), ele voltou à sua terra no início da década de 1970 e movimentou as artes, criando a primeira galeria da cidade. Era aficionado pelo movimento do Cinema Super-8 e, com a Mix Merchandising, abriu as portas para as agências de propaganda na cidade princesa.
Sem ser um visionário, ele estava muitos anos à frente do seu tempo quando se tratava de propagar, de mostrar ao público um produto novo, uma mercadoria que precisava ser vista para alcançar posição no mercado, utilizando-se de imagens e de uma linguagem mais moderna e coloquial, também mais convincente. Recém-formado em Economia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Antônio Carlos Carvalho Silva retornou a Feira de Santana, onde tinha feito o curso ginasial e o secundário no Instituto de Educação Gastão Guimarães (IEGG), para colocar em prática suas ideias.
Assim, idealizou e instalou, na residência da família, na Praça Padre Ovídio, número 109, na década de 1970, a primeira galeria de arte da cidade princesa, onde expunha fotografias, telas e outros trabalhos seus e de amigos que, como ele, estavam começando a trafegar pelos caminhos da arte. O cinema também fazia parte desse universo, com produções em Super-8, que chegavam a mobilizar os adeptos da sétima arte. Representante do Cedec, órgão técnico que posteriormente foi transformado no atual Sebrae, ele mantinha escritório no prédio do Monte Pio dos Artistas Feirenses, na Rua Conselheiro Franco, e, apesar de se empenhar seriamente na sua missão de economista, não esquecia as artes, principalmente a fotografia artística, que era uma nova opção naqueles dias, e a propaganda.
Era Carlito ou Carlinhos para os familiares e amigos, mas autodenominando-se Ansueam, entrou firme na seara da propaganda e foi o pioneiro a criar uma agência do gênero em Feira de Santana: a Mix Merchandising, logo atraindo contas de empresas de destaque do comércio local como a Comercial de Móveis de Aço Ltda (Comol), dos comerciantes Adauto Franco e Valdomiro da Silva Almeida, loja localizada na Avenida Senhor dos Passos; a Ottan Center Magazine, do empresário Osvaldo Ottan, estabelecimento de ponta que, entre outras coisas, promovia desfiles de moda na cidade. Também a Dislar, forte empresa local do ramo de eletrodomésticos, confiou suas contas à Mix, como logo fariam diversas outras firmas. A atuação da Mix Merchandising abriu caminhos para congêneres que foram surgindo. Ansueam era articulista, voltado para a área da Economia, que era sua especialidade, colaborando com jornais e revistas locais.
Na edição da Revista Panorama, de 1º de dezembro de 1983, publicou o interessante artigo “No Tempo dos Oitizeiros”, retratando sua adolescência e as mudanças que começavam a ocorrer na sociedade, em especial no comércio, comparando o tempo da venda ‘na caderneta’, quando os preços das mercadorias comercializadas eram anotados em pedaços de papel, muitas vezes sem qualquer ordem, e a rápida mudança com a chegada da informática, do ‘marketing’ e do merchandising. O publicitário Ubiracy Santana tem as melhores lembranças de Antônio Carlos Carvalho: “Fui estagiário dele na Mix, tornamo-nos amigos e, nessa minha caminhada pela Bahia e Sudeste do País, valeu-me muito o que aprendi com ele”, diz.
Antônio Carlos foi casado com a jovem Sandra Nascimento, também publicitária, atuando juntos na Mix. De uma segunda relação com a maquiadora artística Norma, teve o filho Rafael. Nascido em 6 de julho de 1945, ele faleceu aos 39 anos de idade, em Salvador, no dia 11 de outubro de 1984. O empresário Péricles Marques, proprietário da Markmed e presidente da Fundação Senhor dos Passos, casado há 52 anos com Amália da Silva Marques, irmã do saudoso publicitário, mantém vivas as imagens do cunhado: “Muito jovem, ele começou com fotografia artística, artes de um modo geral e publicidade. Inteligente, dedicado, aparentava ser introvertido, mas era extremamente cordial. Estive com ele até o momento final em Salvador. Já se passaram quase 40 anos, para ser exato 39 anos do falecimento dele, mas Amália e eu não o esquecemos. Aliás, seria impossível”, garante.
Por Zadir Marques Porto