Foi ou continua sendo o ABC? Para os mais velhos, sim. Uma importante artéria que começa na Avenida Senhor dos Passos e, sem acanhamento, segue para o Ponto Central, como morada de famílias ilustres e sede de importantes empresas e colégios, como a Escola Anexa e o Instituto de Educação Gastão Guimarães.
Hoje, se alguém pergunta pelo ABC, pode ser que haja uma resposta referente ao antigo livro escolar através do qual as crianças começavam a leitura. Mas, como um logradouro da cidade, poucos devem saber. Na verdade, o ABC é a mesma Avenida Sampaio, bem no centro comercial de Feira de Santana, muito importante pelos estabelecimentos ali congregados, de diferentes ramos comerciais e de serviços, além de outras áreas como saúde e educação.
O ABC, não se sabe exatamente o motivo desse topônimo, foi assim por muito tempo para depois ganhar oficialmente o nome de Avenida Coronel Joaquim de Melo Sampaio, que teria sido o primeiro intendente (título similar a prefeito) entre 1890 e 1892, ou apenas de 1º de fevereiro a julho de 1890. Todavia, há uma versão histórica que contesta, atribuindo ao doutor Joaquim Remédios Monteiro essa primazia entre 1873 e 1890. Mas, independente de ter sido ou não o primeiro intendente, Joaquim de Melo Sampaio foi imortalizado com a homenagem, que foi sinteticamente abreviada para Avenida Sampaio.
De forma interessante, esse logradouro nasceu a partir da Avenida Senhor dos Passos e foi crescendo horizontalmente, afastando-se da área central da urbe no sentido do Ponto Central, atravessando a bucólica chácara de Dona Rosita, repleta de mangueiras, cajueiros, sapotizeiros e outras árvores frutíferas, além de uma confortável residência. O sítio foi seccionado, e em uma parte dele existe hoje o prédio onde funcionam alguns órgãos da administração municipal.
Como os antigos desbravadores, o então ABC continuou com muita rapidez e um pouco de sinuosidade, abrindo outros sítios e ultrapassando as ruas Castro Alves, Barão de Rio Branco e Comandante Almiro, para também cortar a chamada ‘chácara do padre’, possibilitando a construção, na década de 1950, do Instituto de Educação Gastão Guimarães (IEGG), frontal à Rua Aristides Novis. O IEGG viria a ser o mais importante estabelecimento de formação de professores do estado, por meio do Curso de Magistério. Mas o ABC foi além, passando pela chácara de José Martins, o “pai da apicultura na Bahia”, conhecido como Zezé do Rato, do Apiário São José (hoje Favo de Ouro), até atingir seu destino final, esbarrando no Ponto Central, uma vez que já não tinha mais como se expandir.
Independente do Instituto de Educação Gastão Guimarães, o antigo ABC contou com a Escola Anexa, a Escola Nossa Senhora do Nazaré, o grande armazém PRB-3, onde hoje há uma loja mortuária, vários outros estabelecimentos, dentre os quais a padaria União da família Cajaíba, e, logo no seu início, a sede da Souza Cruz e a Mesa de Renda (delegacia da Secretaria da Fazenda), onde antes residiu o coronel Sampaio, rico empresário que tinha uma fábrica de chapéus em Salvador com 500 empregados e que, por questões de saúde, veio para esta cidade. Há dúvidas se o empresário foi o mesmo cujo nome foi dado à avenida.
Também moraram no ABC a professora Maria Antônia Costa, mãe de criação do advogado José Falcão da Silva, que foi prefeito de Feira de Santana; o poeta Antônio Alves Lopes; o funcionário público e radialista Dourival Oliveira; a família do radialista Itajay Pedra Branca; o delegado de Polícia Badé; o agente do Instituto de Aposentadoria e Pensão do Comerciário (IAPC), Dasio Brasileiro; o professor Almiro Vasconcelos; o empresário Pedro Paulo Oliveira, dentre outros.
Um detalhe interessante sobre a Avenida Sampaio, relatado pelo comerciante e historiador Dasio Brasileiro Filho, refere-se ao fato de esse logradouro ter surgido da esquina da Rua Marechal Deodoro, seguindo pela Comendador Targino, como um hipódromo, onde havia importantes corridas de cavalo. Com o desaparecimento do prado ou hipódromo, surgiram então as primeiras casas residenciais a partir da confluência com a Avenida Senhor dos Passos. A casa do coronel Sampaio (hoje delegacia da Secretaria da Fazenda) teria sido a primeira delas.
Por Zadir Marques Porto