Desativada em 1979 por determinação judicial, sob alegação de poluição ambiental, a Cal Sublime, na Rua Intendente Abdon, foi uma das primeiras indústrias de Feira de Santana e teve importante participação no processo de desenvolvimento do bairro Queimadinha e na economia da cidade.
A Cal Sublime S/A, uma das primeiras indústrias de Feira de Santana, implantada entre as décadas de 1950/1960 na Rua Intendente Abdon, bairro Queimadinha, área hoje ocupada pelo condomínio Down Town Flat, teve uma importância vital para a economia da cidade, tanto pela produção da cal, elemento indispensável na época para o desenvolvimento da construção civil, como pela ocupação da mão de obra, já que a cidade, com a maior feira-livre do país, forte comércio de gado e em invulgar processo de expansão, atraía cada vez mais os habitantes da zona rural para a sede, bem como famílias de outras regiões, e era preciso empregá-los.
A cal, material indispensável para alavancar o setor da construção civil antes do cimento e do ferro, ganhou com o empreendimento do comerciante Bernardino Menezes - que tinha uma bela residência na Av. Getúlio Vargas - uma importância muito maior, já que o produto ensacado era vendido para muitas regiões, até mesmo para fora do estado. As casas e prédios, antes da era do cimento e do ferro, eram edificados com uma argamassa simples, mas de grande eficiência – areia, saibro (uma camada de terra avermelhada extraída do solo) e cal. Até hoje existem muitas construções feitas com adobe, que pode se definir como protótipo do tijolo (ou seja, um tijolo de maior dimensão, que era secado ao sol, sem cozimento) e a argamassa comum (cal, saibro e areia).
Sobre a Cal Sublime, não há registros capazes de determinar o quantitativo de trabalhadores empregados na fábrica; todavia, em empregos diretos e indiretos, os números eram expressivos na época. A matéria-prima para a produção da cal era adquirida em minas de calcário de alguns municípios da região de Euclides da Cunha. Os grandes blocos de calcário eram transportados em caminhões com capacidade para seis toneladas e descarregados na Cal Sublime, onde eram triturados em máquinas apropriadas e, após um demorado processo, era feito o ensacamento para a comercialização.
Como já aconteceu em muitos outros casos, inclusive com produtos diferentes, a exemplo de uma extinta indústria de carnes, o local onde a fábrica de cal foi instalada proporcionou rápido desenvolvimento àquela parte da cidade, atraindo novos moradores, bares, armazéns e outros estabelecimentos, dando-lhe, de forma acelerada, o aspecto urbano, em contraste ao cenário bucólico que exibia antes da fábrica existir. Logo, muitos começaram a renegar a caieira. O argumento de que a poeira branca dispensada pela fábrica incomodava aos moradores mais próximos era cada vez em maior volume.
A saúde da população estava em jogo. O velho bordão "os incomodados que se mudem" passou a ter efeito contrário, já que os moradores da Queimadinha e adjacências, chegados depois da fábrica instalada, começaram a realizar campanhas, inclusive através de emissoras de rádio e jornais, pedindo a paralisação dos trabalhos da empresa ou a sua transferência para um local não habitado. Mas a importância da fábrica para Feira de Santana também estava em jogo. A situação já perdurava por um bom tempo quando surgiu uma nova forte frente contra a indústria, oriunda do Fórum Desembargador Filinto Bastos.
A alegação de que a poeira da cal estava causando incômodo e prejudicando o trabalho do judiciário, associada às queixas populares, reforçou o movimento que se esboçava contra a permanência da fábrica na Rua Intendente Abdon, até que, no mês de maio de 1979, de forma quixotesca, o juiz de Direito José Carlos Caria, figura muito popular na cidade, determinou o fechamento da caieira, decisão que gerou grande repercussão nos meios de comunicação, levando-se em conta a representatividade da empresa para a economia da cidade. Durante muito tempo, o local ficou sem utilidade até o surgimento do condomínio. Mas vale lembrar que a Cal Sublime S/A teve uma significativa participação no processo de crescimento da cidade, em especial do bairro Queimadinha, um dos mais importantes de Feira de Santana.