
Dois dos acusados de participação no triplo homicídio ocorrido em 2020 no bairro Cohab vão a júri nesta terça-feira (13) em Passo Fundo. Luciano Costa dos Santos, 46 anos, e Monalisa Kich, 24, serão julgados a partir das 9h no Fórum da cidade.
O crime é lembrado com um dos mais bárbaros da história recente de Passo Fundo. Em 19 de maio de 2020, três pessoas da mesma família foram encontradas mortas dentro de casa. Alessandro dos Santos (35), sua filha Kétlyn Padia dos Santos (15) e a tia da adolescente, Diênifer Padia (26), morreram por asfixia.
Além de Luciano e Monalisa, a investigação da Polícia Civil apurou o envolvimento de outras três pessoas no caso. O acusado de ser o mandante do crime, Eleandro Roso, foi condenado a 69 anos e seis meses de prisão, reduzidos a 60 anos e oito meses de reclusão, após decisão do Tribunal de Justiça do RS.
Ainda são suspeitos Fernanda Rizzotto e Claudiomir Rizzotto, foragidos desde junho de 2020. Monalisa responde ao processo em liberdade e Luciano está no sistema prisional.
A investigação apontou que o crime se deu por um relacionamento extraconjugal que Eleandro teve com uma das vítimas, Diênifer, e resultou em um filho. Ele e sua esposa Fernanda, que está foragida, foram os mandantes do crime, motivados pela traição e nascimento da criança.
O irmão de Fernanda, Claudiomior, teria ajudado oferecendo recompensa pela morte de Diênifer a um ex-policial militar, Luciano. Conforme a denúncia do MP, Luciano seria o responsável por contratar os dois homens que invadiram a residência e vitimaram a família.
Já Monalisa, companheira de Luciano, teria entrado em contato com Diênifer pela internet e simulado o interesse em um aparelho que ela estava vendendo para conhecer a casa da vítima e passar as características do imóvel ao marido.
No dia do crime, os executores contratados — não identificados até o momento — fingiram estar interessados em comprar móveis anunciados por Diênifer na internet e combinaram horário para buscar os objetos.
Ao chegar no local, por volta das 21h, renderam as vítimas e as estrangularam utilizando lacres de plásticos. A denúncia ainda aponta que o cunhado e a sobrinha de Diênifer foram mortos como queima de arquivo, para que o crime não tivesse testemunhas.
Os réus julgados nesta terça respondem por homicídio de Diênifer por motivo fútil e emprego de asfixia, além dos dois homicídios de cunhado e sobrinha.
— O MP irá apresentar as provas obtidas ao longo da tramitação de todo o processo e da investigação feita pela Polícia Civil, no que acredita ter o acolhimento da pretensão que foi objeto de descrição na denúncia apresentada — afirma o promotor Fabrício Allegretti.
O advogado que representa a família das vítimas, Gustavo da Luz, adiantou que a acusação aguarda pela condenação dos réus:
— A expectativa é do pedido de condenação pela integralidade da denúncia oferecida, tanto de Luciano, quanto de Monalisa, para que sejam condenados pelos três homicídios qualificados a que vem sendo acusados até o momento.
A defesa de Luciano e Monalisa, representada pelo advogado José Paulo Schneider, afirma que confia na decisão do conselho de sentença e que apresentará a existência de falhas na investigação:
— Demonstraremos em plenário que existem importantes falhas nas investigações e no processo que foram determinantes para o caso. Passados mais de quatro anos, ainda há dois foragidos e a incerteza quanto à identificação dos dois executores, o que torna extremamente temerosa e preocupante a ideia de considerar que o caso esteja devidamente elucidado.