
Os prefeitos da região do Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul, área mais atingida pelas enchentes ocorridas no mês de setembro ressaltaram, em audiência pública na Câmara dos Deputados, a necessidade de investimento em estudos para a prevenção de novos desastres naturais. Durante o encontro, nesta terça-feira, o prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo (PP), destacou ser preciso “propostas e alternativas em estudos para que os rios não atinjam o volume de cheia”. Comparando com Porto Alegre, Caumo disse que, se a Capital atingisse o volume de sete ou oito metros no nível do rio, como os municípios do Taquari, ficaria abaixo d’água. Na mesma linha preventiva, o prefeito de Roca Sales, Amilton Fontana (MDB), abordou que a região deve trabalhar na dragagem do rio, complementando que “sem ajuda, vai demorar muitos anos para reconstruir a cidade”.
Mateus Trojan (MDB), gestor de Muçum, não sabe se a solução seria a implementação de mais barragens ou o trabalho de dragagem, mas concorda com os demais prefeitos sobre a necessidade de pessoas e estudos sobre o assunto. “A nossa cidade se foi. Sabemos que é complexo e as soluções são onerosas, mas precisamos de estudos”, falou Trojan.
Na fronteira do Vale do Taquari com a Serra Gaúcha, está o município de Santa Tereza. Presente na audiência pública, a prefeita Gisele Caumo (PTB) mostrou descontentamento e disse que “houve distinção no tratamento” do seu município em relação aos outros. “Dez dias após a catástrofe, o governador esteve no município. A política de resultados tem que ser uma política honesta”, expressou.
A proposta da reunião conjunta entre quatro comissões (Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; Indústria, Comércio e Serviços; e Integração Nacional e Desenvolvimento Regional) foi dos deputados gaúchos Marcel van Hattem (Novo) e Heitor Schuch (PSB), além do paranaense Nelson Padovani (União Brasil). O encontro contou com a presença de representantes do governo federal e estadual, além dos gestores municipais.
Coordenador da bancada gaúcha na Câmara, Carlos Gomes (Republicanos) colocou o grupo à disposição para auxiliar os municípios atingidos. A vice-coordenadora, Any Ortiz (Cidadania), registrou que os parlamentares estão dispostos a empenhar R$ 100 milhões em emendas disponíveis para a bancada e pediu ajuda do governo federal para tentar antecipar o envio do recurso.
Os dois ministros presentes, Paulo Pimenta e Waldez Góes, da secretaria de Comunição e Desenvolvimento Regiona, respectivamente, apontaram as ações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na mobilização dos atingidos. “Eu nem sei os partidos dos prefeitos, vereadores e lideranças. Quando trabalhamos assim, quem ganha é a população e o trabalho acontece”, frisou Pimenta.