Quarta, 29 de Julho de 2026
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Piloto que atropelou estudante com ultraleve vende cursos e tem canal sobre aviões com mais de 50 mil inscritos

Segundo a polícia, Nathan Marchon, de 29 anos, atingiu Caroline Kethlin com a asa da aeronove de pequeno porte que pilotava no Aeroclube de Nova Iguaçu, na Baixa Fluminense

Por: Redação Acontece no RS Fonte: O GLOBO
14/09/2023 às 21h48
Piloto que atropelou estudante com ultraleve vende cursos e tem canal sobre aviões com mais de 50 mil inscritos
Nathan deve prestar depoimento até o fim da próxima semana - Foto: Reprodução/Redes sociais

A polícia identificou o piloto que atropelou Caroline Kethlin, de 22 anos, que teve morte cerebral declarada no último domingo. Segundo as investigações, Nathan Marchon, de 29 anos, atingiu a estudante com a asa do ultraleve que pilotava no Aeroclube de Nova Iguaçu, na Baixa Fluminense. Caroline foi atropelada na lateral direita da pista.

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Entusiasta de aeronaves de pequeno porte, ele tem um canal no Youtube sobre ultraleves com mais de 50 mil inscritos, em que mostra seus voos, avalia aeronaves e divulga aviões que estão à venda. Além do canal, com 416 vídeos, ele tem um site em que oferece curso de piloto para alunos iniciantes, intermediários e de nível avançado.

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Em seu canal, Marchon testa vários modelos de ultraleves e voa em diversas regiões do Brasil. O vídeo mais acessado tem 256 mil visualizações e mostra o "menor avião bimotor do mundo". O último vídeo do canal foi publicado oito dias atrás.

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Antes de começar os vídeos, ele se apresenta e divulga o seu site, chamado Aero Marchon. Lá, ele anuncia aeronaves que estão à venda e também oferece seu curso de piloto para iniciantes e intermediários.

O curso mais básico, para iniciantes, dura um dia e custa R$ 800. Segundo o site, o curso oferece uma imersão de um dia em que o "aluno vivencia todos os elementos do curso de formação de pilotos de forma muito resumida" Ao fim do treinamento, o estudante pode decolar em um voo de instrução de 30 minutos pilotando um ultraleve.

A intenção da aula é, segundo a descrição, proporcionar uma experiência para que o estudante decida se quer ou não entrar no esporte. A grade do curso inclui "uma breve aula teórica de aerodinâmica aplicada aos equipamentos de voo, apresentação dos elementos da aeronave, um bate-papo detalhado sobre noções básicas de meteorologia, navegação e legislação".

O curso intermediário custa R$ 3,6 mil e dura quatro horas de estudo prático. O público alvo, segundo o site, são alunos que já fizeram o curso básico ou quem têm "licença de piloto CPA ou PP, seja ela vencida ou não". O avançado custa R$ 4,5 mil e dura cinco horas. O local do curso é indicado como Rio de Janeiro (RJ), sem outras informações.

Piloto ainda vai prestar depoimento

Na última segunda-feira, a Polícia Civil e o Centro de Investigação e Prevenção (Cenipa) fizeram uma perícia no local do acidente e identificaram o ultraleve como um Flayer GT. Modelos desse tipo podem chegar a mil pés de altitude, cerca de 300 metros de altura, e 80 quilômetros por hora. Fabricada na década de 1990, é preciso um certificado para ter autorização para pilotá-lo.

Segundo a polícia, Marchon tinha a documentação e estava se deslocando na pista, testando o ultraleve, quando ocorreu o acidente. Os agentes afirmaram que a aeronave de pequeno porte teria perdido o eixo da pista e percorreu menos de 200 metros até atingir a estudante, que estava na lateral direita. O caso foi registrado na 58ª DP (Posse), que investiga o ocorrido.

O delegado responsável pelo caso, José Mário Salomão Omena, ainda quer ouvir a principal testemunha, o pai de Caroline Kethlin, antes de ouvir o piloto. Ele estava com a vítima no local do acidente. Marchon deve prestar depoimento até o fim da próxima semana.

Local funciona sem fiscalização

Em nota, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que o Aeroclube de Nova Iguaçu "não é uma entidade certificada pelo órgão para oferta de cursos de formação de pilotos e não consta no cadastro de aeródromos privados da Agência".

Em nota, a Força Aérea Brasileira (FAB) disse que investigadores do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa III) foram acionados para realizar a ação inicial da ocorrência no aeroclube. E que “a conclusão das investigações terá o menor prazo possível, dependendo sempre da complexidade de cada ocorrência e, ainda, da necessidade de descobrir os possíveis fatores contribuintes”.