Presente nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016, mas ausente em Tóquio (Japão), cinco anos depois, o rugby em cadeira de rodas brasileiro quer retornar à Paralimpíada em 2024, em Paris (França). A primeira chance será nos Jogos Parapan-Americanos de Santiago (Chile), em novembro. O campeão já se garante na capital francesa. Outra possibilidade será por meio de uma repescagem mundial, prevista para abril do ano que vem, em local a ser definido.
A jornada rumo a Paris inicia no próximo dia 12, com a primeira edição do Campeonato Sul-Americano da modalidade, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo. O torneio reunirá oito equipes, sendo que o Brasil será representado por duas seleções: uma principal e outra de desenvolvimento. Os outros participantes serão Argentina, Chile, Colômbia, Paraguai, Peru e Uruguai. A competição vai até o dia 15, com transmissão ao vivo pelo canal da Associação Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas (ABRC) no YouTube . A tabela ainda será anunciada.
“A principal importância do Sul-Americano é fomentar a modalidade na América do Sul. Temos poucas competições por aqui, então é uma oportunidade ímpar. A ideia é trazer rodagem aos 24 atletas [12 na equipe principal e 12 na de desenvolvimento] para escolhermos os 12 que vão ao Parapan”, disse o presidente da ABRC, José Higino, àAgência Brasil.
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As duas seleções foram definidas após a semana inaugural de treinos da temporada, no CT Paralímpico, em fevereiro, com 28 atletas. Sete foram chamados pela primeira vez, como o ex-goleiro Bruno Landgraf, que disputou as Paralimpíadas de Londres (Reino Unido) e do Rio na vela. Campeão mundial sub-17 no futebol, ele ficou tetraplégico após sofrer um acidente de carro, em 2006. Bruno, porém, está fora neste primeiro momento. Das caras novas, quatro (Cauê Borges, Giuliano Castro, Matheus Soares e Rodolfo Polidoro) foram chamadas ao grupo permanente - considerando as equipes principal e de desenvolvimento - que cumprirá uma agenda determinada pela ABRC ao longo da temporada e terá contrato de um ano.
As atividades em São Paulo foram a primeira oportunidade para Benoit Labrecque trabalhar com os atletas desde seu anúncio como novo técnico, em janeiro. O canadense levou o país natal à medalha de bronze no Campeonato Mundial de 2006, na Nova Zelândia, e na Paralimpíada de Pequim (China), dois anos depois. Ele dirigiu o time brasileiro entre 2013 e 2014 e ainda comandou Suíça, Suécia e Finlândia. Benoit será o treinador da equipe principal, enquanto Ana Paula Boito Ramkrapes - responsável pelo Brasil no Parapan de Lima (Peru), em 2019 - ficará a cargo do time de desenvolvimento.
A única participação paralímpica do Brasil no rugby em cadeira de rodas foi em casa. Nas outras cinco edições nas quais a modalidade esteve presente, desde Sydney (Austrália), em 2000, o país não foi representado. A meta é fazer história em Paris e repetir 2022, quando a seleção se classificou, pela primeira vez, ao Mundial da modalidade, em Velje (Dinamarca), graças ao terceiro lugar na Copa América, realizada em Medelín (Colômbia).
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A missão não será fácil. Atuais vice-campeões paralímpicos, os Estados Unidos poderiam ter "facilitado" o caminho se tivessem conquistado o Mundial da Dinamarca, que daria vaga a Paris, mas perderam a final para a Austrália. Não bastasse a concorrência do time norte-americano, líder do ranking da World Wheelcheir Rugby (WWR), que é a federação internacional da modalidade, os brasileiros ainda terão pela frente no Parapan o Canadá, país que idealizou o rugby em cadeira de rodas, medalhista de prata na edição de Lima e ouro quando foram anfitriões, em Toronto.
“O desafio é grande. Achamos muito difícil conseguir vaga [direta] pelo zonal das Américas [Parapan], que é apenas para o campeão. Nossa ideia é fazer um bom Parapan e buscarmos lugar no qualificatório [repescagem] da Paralimpíada, que terá oito times para três vagas. O Brasil nunca conseguiu vaga à Paralimpíada sem ser o país anfitrião. Seria a primeira vez”, projetou Higino.
A modalidade
O rugby em cadeira de rodas é praticado por homens e mulheres com tetraplegia ou grau elevado de comprometimento físico-motor. Os atletas são divididos em sete classes (0,5 ao 3,5, variando a cada meio ponto). Quanto menor o número da categoria, maior o grau de deficiência. A soma das classes dos jogadores em quadra (quatro por time) não pode passar de oito.
A partida tem quatro períodos de oito minutos e é disputada em uma quadra com as dimensões de uma de basquete (15 metros de largura por 28 metros de comprimento). Os atletas devem ultrapassar a linha do gol rival com as duas rodas da cadeira e a bola (semelhante à do voleibol) em mãos, marcando um ponto. É diferente do rugby convencional, no qual cruzar a meta adversária com a bola (que é oval) e tocá-la no chão (o chamado try) vale cinco pontos.
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